Os transportadores rodoviários de mercadorias espanhóis arriscam perder rendimentos com a introdução dos veículos de 44 toneladas, a partir de Maio do próximo ano.

A circulação de camiões de 44 toneladas, autorizada a partir de Maio de 2021, terá um impacto sobre os preços dos transportes rodoviários, levando à sua baixa, segundo um estudo divulgado no país vizinho. Isso preocupa os transportadores, devido ao período de crise que a economia atravessa.

O estudo técnico relativo à introdução de veículos de 44 toneladas em Espanha foi desenvolvido pela Universidade do País Basco e patrocinado pela Fundação Pepe Iglesias, Fundação Guitrans, Fundação Quixote para Transporte e Fundação Ricardo Diaz. O trabalho concentrou-se em analisar as repercussões da alteração da regulamentação que permitirá aumentar a carga máxima transportada em quatro toneladas, ou seja, em aproximadamente 15%.

Com base nos dados do último Inquérito Permanente sobre Transporte Rodoviário realizado em Espanha (relativo a 2016), e assumindo que o actual nível de procura se mantém, o estudo da Universidade do País Basco conclui que, com veículos de 44 toneladas, seriam necessárias 13,7% menos viagens e frotas. Isso poderá, indicam os responsáveis pela análise, causar uma queda geral nos preços de transporte, dado o aumento da oferta que implicará a existência de veículos com mais capacidade.

Dois cenários

A partir desses dados, dois cenários diferentes foram desenvolvidos. No mais favorável, as companhias de transporte aumentariam o volume de negócios realizando operações com carga total, enquanto no outro seria mantido um mercado ai nível do actual, o que significa que algumas operações deixariam de ser necessárias.

O estudo estima que as grandes operadoras poderão adaptar-se à nova situação reduzindo a sua frota, mas os mais pequenos teriam de manter a dimensão, com o consequente aumento nos custos por tonelada transportada. A análise avisa ainda que a mudança nas composições dos veículos pode causar uma distribuição desequilibrada de ganhos entre carregadores e transportadores, em prejuízo destes últimos, uma vez que veriam os seus custos aumentarem sem os benefícios das novas composições.

Por esse motivo, o documento estima que uma possível mudança na regulamentação deveria ser realizada num momento de crescimento económico estável, em linha com o que foi feito, em 2013, em França.

Ganhos ambientais

O estudo da Universidade do País Basco avisa para o aumento dos custos com a preservação das estradas, na medida em que os camiões de 44 toneladas aumentarão a deterioração do pavimento entre 42% e 59%, dependendo do tipo de piso.

O estudo vê, porém, vantagens ambientais e de segurança com a introdução de camiões maiores. Ao reduzir o número de viagens, este tipo de veículos alcança uma redução global de emissões de cerca de 3,7%, uma percentagem que pode chegar a 10% nas emissões de CO2 em caso de recurso a camiões movido a energias alternativas, além do desenvolvimento do transporte intermodal.

Quanto ao impacto na segurança rodoviária, a universidade basca indica que não há estudos conclusivos, mas indica que as estatísticas de óbitos publicadas em países em que os camiões de 44 toneladas já podem circular sugerem que a medida não contribuiu para tornar o tráfego rodoviário mais seguro.

 

 

 

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