A Auto Viação Feirense, com uma frota de 113 autocarros, vai comprar 40 autocarros a gás natural e 20 eléctricos, num investimento de 17,9 milhões de euros, co-financiado em 6,3 milhões de euros pelo POSEUR. O contrato foi hoje assinado.

Feirense

A empresa de Santa Maria da Feira já opera, desde 2013, com 25 autocarros a gás natural nos seus serviços suburbanos entre o Porto, Espinho, Vale de Cambra e Arouca, mas agora sobe a parada e tornar-se-á a maior operadora nacional de autocarros eléctricos, como sublinhou o ministro do Ambiente, na assinatura do contrato de investimento.

“As duas maiores operadoras de transportes públicos são a STCP e a Carris, com uns 400 a 500 autocarros cada, (…) mas a Auto Viação Feirense é a empresa – entre públicas, privadas, todas – que mais autocarros eléctricos está a comprar”, realçou Matos Fernandes.

Os 6,3 milhões de euros atribuídos à transportadora no âmbito do Programa Operacional de Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR) correspondem a um investimento total de 17,9 milhões, que também prevê a criação de seis postos de abastecimento específicos para gás e electricidade.

Comparativamente a autocarros movidos a combustível convencional, isso permitirá à empresa evitar em cada ano a emissão atmosférica de 750 toneladas de dióxido de carbono.

Para João Pedro Matos Fernandes, essa estratégia demonstra como a iniciativa privada poderá influir no sucesso das metas estipuladas pelo Governo ao nível da mobilidade verde, já que, “se Portugal assumiu o compromisso de reduzir em 26% as emissões de carbono até 2030”, esse objectivo terá que cumprir-se pela aposta em energias alternativas e não por via da redução da oferta de serviços.

“O que se quer não é menos viagens – o que se quer é transferir as viagens do veículo pessoal para o colectivo”, realçou o ministro.

“E o que estamos a pagar através do POSEUR não são os autocarros – é sim a diferença entre a aquisição de um autocarro convencional e a de um eléctrico, ou seja, a diferença de preço da performance ambiental”, explicou.

Negócio reinventado

Gabriel Couto, director-geral da Auto Viação Feirense, admite que o recurso a energias limpas é vantajoso “em termos fiscais” e garante que o objectivo do presente investimento é o de “reduzir custos e não o de aumentar o preço final ao consumidor”.

Fundada em 1936, a empresa “teve que se reinventar um bocadinho” em sequência da crise de 2008 e decidiu apostar na mobilidade verde em 2013, quando integrou na sua frota os primeiros autocarros a gás comprimido.”Criámos um novo modelo de negócio”, explica o director da operadora.

“Se antes tínhamos carreiras e alugueres, hoje temos circuitos diários por privados e 40% do nosso serviço é exportação para o mercado asiático e sul-americano”, acrescenta, em referência ao aluguer de autocarros por grupos turísticos em passeio pela Europa – sobretudo em Espanha, França e Itália, mas também no Reino Unido, Alemanha, Áustria e Croácia.

Actualmente, a Auto Viação Feirense emprega cerca de 140 funcionários e tem uma facturação média anual na ordem dos 8 milhões de euros.

Os seus novos pesados de passageiros deverão ajudar ao aumento gradual desse volume de negócios a partir do primeiro semestre de 2018. “É nessa altura que começam a chegar os primeiros autocarros novos e depois temos  três a quatro anos para os ter todos”, anuncia Gabriel Couto.

“Com os de gás já temos experiência desde 2013; com os eléctricos vamos agora começar a adaptar-nos”, reconhece.

A cautela quanto à novidade não invalida expectativas positivas. “É que não temos mesmo alternativa: ou temos sucesso ou morremos”, conclui o director da empresa, que se prepara para actuar também no transporte de passageiros em aeroportos.

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