O Parlamento Europeu votou ontem, quarta-feira, a favor de uma redução das emissões de CO2 dos automóveis de passageiros e de mercadorias novos em 40% até 2030. A ACEA alerta para a potencial perda de empregos no sector.

ACEA propõe reduzir o CO2 em 16%

A redução proposta de 40% de CO2 foi um compromisso entre ambientalistas – que queriam compromissos mais fortes –  e aqueles que buscam manter os cortes dentro de limites que não afectem de forma substancial a indústria automóvel da UE.

A proposta foi apresentada em Maio e vai ser discutida pelos 28 Estados-membros da União Europeia (UE) no fim do mês.

“Continuamos particularmente preocupados com os objectivos extremamente agressivos de redução de CO2 e com a imposição de quotas de vendas para veículos eléctricos a bateria que os deputados do Parlamento Europeu apoiaram. O voto de hoje [ontem] corre o risco de ter um impacto muito negativo nos empregos em toda a cadeia de abastecimento automóvel”, comentou, em comunicado, o secretário-geral da Associação dos Construtores Europeus de Automóveis (ACEA), Erik Jonnaert. “Isso essencialmente forçaria a indústria a uma transformação dramática em tempo recorde”, alerta.

“Não há garantia de que temos a estrutura de capacitação pronta para facilitar essa transição repentina para a electromobilidade”, acrescentou.

A ACEA defende que, actualmente, a infra-estrutura de recarregamento de veículos eléctricos está em falta e que os incentivos aos consumidores para a compra de veículos eléctricos continuam sem estar harmonizados em toda a UE. “Os consumidores não podem ser forçados a comprar veículos eléctricos sem a infra-estrutura ou os incentivos necessários”, salienoua Erik Jonnaert.

A ACEA também realça o facto de existir uma maioria muito apertada em algumas questões cruciais. “Só podemos esperar que os governos nacionais tragam algum realismo para a mesa das negociações quando, na próxima semana, adoptarem uma resolução comum sobre as futuras metas de CO2”, concluiu Jonnaert.

ACEA contrapõe meta de 16%

A ACEA propõe, em alternativa, uma redução de 7% das emissões de CO2 até 2025 e 16% até 2030. A associação considera que são objectivos altos, mas aceitáveis. Por outro lado, defende uma revisão intermédia em 2022 para voltar a analisar as metas para 2030.

As marcas europeias insistem, além disso, que os limites de emissões de CO2 não sejam a única solução adoptada para reduzir a poluição. Solicitam, por isso, mais apoio de Bruxelas para os veículos euromodulares e platooning, bem como para alguns combustíveis alternativos.

 

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