ACEA e Eurelectric apoiam a integração das infra-estruturas de carregamento de veículos eléctricos no plano de recuperação da UE, mas querem mais ambição.

A posição conjunta da ACEA e da associação que reúne as grandes eléctricas europeias surge na sequência do anúncio do objectivo de Bruxelas de financiar um milhão de pontos de carregamento públicos no âmbito do plano de recuperação económica europeia.

Eurolectric e ACEA observam que essa meta já fazia parte do Acordo Verde Europeu e que “fica muito abaixo do que será exigido na realidade”. As parte indicam cálculos da própria Comissão que apontam para que sejam necessários cerca de 2,8 milhões de pontos carregadores públicos até 2030, cerca de 15 vezes mais do que os actualmente existentes na UE.

As associações dos construtores automóveis e das eléctricas consideram, por isso, necessário que a Comissão Europeia acelere os seus planos de revisão da directiva relativa à criação de infra-estruturas para combustíveis alternativos (AFID, na sigla em inglês). Esta directiva é de Outubro de 2014 e, de acordo com as partes, não só já não está actualizada com a mais recente tecnologia dos veículos como foram poucos os Estados-membros que a implementaram.

Defendem as partes que AFID revista deve introduzir uma abordagem muito mais ambiciosa para a implantação de pontos de carregamento e estações de reabastecimento de hidrogénio em toda a UE. A instalação de infra-estruturas, “particularmente nas redes principais e abrangentes da RTE-T [rede transeuropeia de transportes] e nas áreas urbanas”, deve, de acordo com as duas associações, estar alinhada com os parâmetros de referência para veículos de zero e baixas emissões estabelecidos pela UE para 2025 e 2030 e deve considerar as classes de potência de postos de carregamento e as capacidades de carga dos veículos.

Camiões e autocarros, por exemplo, têm necessidades diferentes de veículos ligeiros no que diz respeito à infra-estrutura, devido à maior necessidade de energia ou combustível, além de espaço de estacionamento (para carregamento nocturno) e requisitos de acesso.

Criação de incentivos

ACEA e Euroelectric defendem, ainda, a criação de incentivos à compra de viaturas, bem como à instalação de postos de carregamento em edifício públicos e privados. Nestes últimos, além de apoios ao uso e aquisição, a facilitação em termos legislativos também é destacada.

“Precisamos de ver uma acção rápida na implantação da infra-estrutura para dar aos consumidores confiança para comprarem um veículo eléctrico, garantindo assim que a frota possa ser renovada de maneira ecológica”, solicita, citado em comunicado, Eric-Mark Huitema, director-geral da ACEA.

“A incorporação de mobilidade limpa no novo normal da Europa exige acelerar o lançamento de veículos eléctricos a bateria e a implantação da infra-estrutura de carregamento, além de actualizar as redes e desenvolver as soluções de armazenamento apropriadas. Estes quatro pontos devem ser centrais e interligados em qualquer discussão sobre o futuro da mobilidade, bem como nos planos de recuperação”, indica, por seu turno, Kristian Ruby, secretário-geral da Eurelectric.

 

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