É necessário criar as condições para que os transportadores possam incluir cada vez mais veículos de baixas ou zero emissões nas suas frotas, indica a ACEA.

Novos dados divulgados pela ACEA revelam que 98,3% de todos os camiões com mais 3,5 toneladas que circulam nas estradas europeias têm motores diesel (99% no caso de Portugal). Os veículos com carga eléctrica representam uma parcela insignificante (0,01%, ou um em cada dez mil veículos), e cerca de 0,4% de todos os camiões na UE são a gás natural.

“Se quisermos transformar esse cenário alarmante e convencer os transportadores a mudarem para veículos de baixas e zero emissões em larga escala, a Europa precisa urgentemente de introduzir um forte pacote de medidas políticas consistentes e previsíveis”, avisa, citado pela assessoria de imprensa, Gerrit Marx, o presidente do conselho de veículos comerciais da ACEA e presidente de veículos especializados da CNH Industrial.

Entre as medidas preconizadas pelas marcas está, por exemplo, a rápida implantação de infra-estrutura dedicada de carga e reabastecimento de camiões – que hoje “está completamente ausente”, segundo a ACEA – e a criação de incentivos significativos para tornar esses veículos uma opção comercialmente viável e competitiva para os operadores de transporte, promovendo a renovação da frota.

A revisão da directiva Eurovinheta também deve permitir a diferenciação das tarifas de uso das estradas pelas emissões de CO2. “Os Estados-membros, em particular, precisam de ‘ir a jogo’ em todas essas áreas”, considera Gerrit Marx.

De acordo com o novo relatório da ACEA, “Veículos em uso – Europa 2019”, há 6,6 milhões de camiões nas estradas da UE. Com mais de 1,1 milhões de veículos, a Polónia possui a maior frota de camiões da UE, seguida de perto pela Alemanha e Itália. Em Portugal são 130 mil os camiões (+3,5% face a 2017).

O relatório também mostra que a frota de camiões da UE está a envelhecer de forma célere. Actualmente, os camiões têm em média 12,4 anos na UE, em comparação com 11,7 anos em 2013. Em Portugal, a idade média do parque de camiões é de 13,8 anos.

No início de 2019, a UE adoptou as suas primeiras normas de CO2 para veículos pesados, que prevêem a redução das emissões do autocarros e camiões em 15%, face os níveis de 2019, até 2015, e em 30% até 2030. Desde a ACEA salientam que há oferta uma crescente de camiões de baixas e zero emissões e que as marcas se estão a preparar para aumentar a gama, mas que, para tal, é preciso que a conjuntura legal e prática se altere.

 

 

 

 

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