O acidente que matou 36 pessoas, no sábado, no Leste da China, é o mais grave da história da Alta Velocidade naquele país e vem adensar as dúvidas sobre a segurança da nova rede ferroviária.

Foi uma falha na alimentação eléctrica da rede de Alta Velocidade que esteve na origem primeira do acidente de sábado. O “apagão” deixou um comboio parado na via à entrada de um viaduto. A composição seria depois abalroada por uma outra, que seguia no mesmo sentido, e que não parou – falha humana ou do sistema de sinalização/segurança? Várias carruagens foram projectadas no abismo.

As autoridades foram rápidas a fazer rolar cabeças, na estrutura dos caminhos de ferro e do partido, mas isso não parece ir ser suficiente para reganhar o prestígio de uma das bandeiras da modernidade chinesa.

O acidente aconteceu numa das primeiras linhas de Alta Velocidade, com comboios da primeira geração. Mas na linha Pequim-Xangai, a maior do mundo e a mais moderna da China, inaugurada no princípio do mês, tem-se sucedido também os “apagões”, felizmente com impacte apenas no cumprimento dos horários (os atrasos chegam a somar várias horas).

A Alta Velocidade chinesa iniciou-se em 2007. Actualmente estão em operação 8 358 quilómetros, mas o objectivo é ultrapassar os 13 mil no próximo ano e chegar aos 16 mil em 2020.

Depressa e bem parece ser uma combinação difícil de alcançar mesmo na Alta Velocidade. Em Fevereiro último, o ministro dos Transportes chinês foi afastado à conta de irregularidades no processo de desenvolvimento da rede. E por questões de segurança – e de custos – a velocidade máxima da rede foi baixada dos 350 para os 300 km/hora.

Os percalços sucessivos também não ajudarão a ganhar os chineses para a Alta Velocidade. E o facto é que na ligação Pequim-Xangai já foram anulados dez comboios diários entre estações intermédias porque as carruagens seguiam vazias.

No início do mês a R.P. China anunciou a primeira exportação de comboios de Alta Velocidade, no caso para a Malásia. Os sucessivos problemas podem também afectar, pelo menos no imediato, os planos de Pequim em tornar-se um player mundial na Alta Velocidade.

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