A Associação Comercial do Porto (ACP) apresentou hoje o ‘plano B’ para a TAP que contempla um programa de apoio à criação de rotas, de 20 milhões de euros anuais, a repartir pelos aeroportos do Porto, Faro, Açores e Madeira.

O prometido é devido, e apesar do desenvolvimento, ontem anunciado, do reforço da posição do Estado na TAP, o presidente da Associação Comercial do Porto (ACP) apresentou hoje o “plano B” para a companhia aérea, alternativo ao resgate de 1,2 mil milhões de euros, porque Nuno Botelho não acredita que um novo plano de actividade reponha, tal como é pedido na providência cautelar que a associação interpôs – e “que continua activa” – os 80% da operação do aeroporto do Porto na era pré-Covid.

Continuo a achar que não vai haver grandes rotas para o Porto (…). Podem dizer o que quiserem, mas a verdade dos factos é esta: a TAP vai ser mais deficitária do que nunca, vai ter mais problemas do que nunca e, portanto, a TAP vai concentrar a sua operação num só ‘hub’. Vai reduzir rotas, vai reduzir funcionários, é uma questão quase matemática, é impossível, não estica“, afirmou.

Nuno Botelho deixou claro que, no entender da ACP, o Aeroporto do Porto tem capacidade para albergar mais companhias do que aquelas que tem hoje, não podendo “ficar pendurado” à espera de que um dia a TAP resolva começar a operar normalmente naquela infra-estrutura.

Nesse sentido, o que nós estamos a dizer, de forma muito clara, ao Governo e à TAP é: então façam o vosso trabalho a partir de Lisboa, estejam para lá, mas deixem-nos de uma vez por todas sós, de uma vez por todas em paz e que possamos ser nós a captar as rotas, criar e fidelizar os clientes, as companhias, e possamos começar a trabalhar efectivamente“.

Mas para isso é necessário dinheiro, pelo que a proposta da ACP assenta no pressuposto de que a TAP concentrará a sua operação em Lisboa, aplicando-se para os outros aeroportos nacionais um Programa de Apoio à Criação e Desenvolvimento de Rotas para diminuir os custos de contexto no acesso aos diferentes territórios e incentivo à exploração de novos mercados.

Com uma dotação orçamental de 20 milhões de euros anuais, a verba que já está prevista no Programa de Estabilização Económica e Social (PEES) de 2020, deve ser repartida pelos aeroportos do Porto, Faro, Açores e Madeira, “uma parte com base nos movimentos, outra como forma de incentivo ao crescimento”.

Para a ACP, esta dotação e este mecanismo excluem o aeroporto de Lisboa, “onde está concentrada toda a operação da TAP”.

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A associação defende ainda que a dotação anual regional deve ser gerida pela Agência de Promoção Externa de cada uma das regiões, no caso do Norte a Associação de Turismo do Porto e Norte, organismos que têm total autonomia de decisão na aplicação das verbas do mecanismo do Fundo do Turismo que recebem.

ACP salienta ainda que, com esta proposta alternativa, não são criadas novas entidades, novos encargos ou nova despesa pública.

“As entidades já existem, o dinheiro está previsto e é, no nosso entender, uma forma ágil, simples, de fazer justiça ao todo nacional. Volto a dizer: tenho muita preocupação com esta questão da TAP, não concordamos com a solução encontrada, achamos que isto vai ser mais um Novo Banco”, disse, acrescentando que o problema da TAP “é uma caixa negra” que o país só vai tomar conhecimento do se passa quando se “despenhar”.

Na conferência de imprensa, Nuno Botelho recordou que o Grupo TAP apresenta ao longo dos últimos anos resultados líquidos negativos consecutivos, sendo a operação no Brasil a principal responsável.

Nuno Botelho considerou que a viabilização do Grupo TAP deveria ser resolvida com e pelo governo brasileiro, dado que os grandes problemas estão concentrados nas brasileiras Aeropar e na TAP M&E.

“Não vejo ninguém discutir dos 1,2 mil milhões o que vai para o Brasil, ou o que já foi e o que fica em Portugal”, disse, considerando que a forma como o Estado está a entrar no capital da companhia aérea nacional “vai financiar duas empresas que estão em solo brasileiro e que pagam impostos no Brasil, e que são a razão de ser para a ruína que é o Grupo TAP”.

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