A Associação do Comercial do Porto (ACP) insiste nas críticas à intenção do Governo de lançar um novo terminal de contentores no Barreiro e sustenta que os privados só ali investirão se o Estado lhes assegurar os riscos do negócio.

Ana Paula Vitorino

Numa reacção às mais recentes declarações da ministra do Mar sobre o projecto do Barreiro, a ACP retoma o essencial das conclusões do estudo “Terminais portuários e infraestruturas logísticas em Portugal”, por si promovido e divulgado em Junho do ano passado, e que sustenta que “não há necessidade urgente de construir novas infraestruturas portuárias marítimas para dar resposta aos aumentos previsíveis da procura”.

“À luz destas conclusões, não pode a Associação Comercial do Porto deixar de manifestar publicamente a sua perplexidade pelo facto do Governo vir agora anunciar a intenção de construir no Barreiro um novo terminal portuário, como o que existe a funcionar em Alcântara, se houver operadores privados interessados”, refere a entidade, em comunicado.

Sobre o interesse dos privados no projecto, a ACP considera-o um “argumento falacioso, tendo em conta que interesses desta natureza dependerão, sempre, das condições oferecidas pelo Estado”. E elenca condicionantes que os potenciais investidores não deixarão de considerar:

“– do lado oposto do Rio Tejo existe já um outro terminal a funcionar, com capacidade instalada excedentária que, seguramente utilizará como instrumento numa estratégia concorrencial agressiva;

“– há um prazo de concessão de exploração a 30 anos, que muito provavelmente não será suficiente para recuperar o investimento realizado, podendo obrigar o Estado a suportar parte do investimento;

“– geograficamente, o Barreiro não está alinhado com o actual posicionamento das plataformas logísticas, sendo necessários significativos investimentos adicionais (públicos e privados) visando a sua relocalização e a garantia de novas acessibilidades;

“– a reduzida profundidade do canal fluvial de acesso limita as oportunidades de transhipment, não permitindo responder às estratégias das companhias de navegação nas rotas intercontinentais tão eficazmente como Sines.”

A ACP sublinha ainda as vantagens competitivas de Sines, e lembra a reconfiguração em  curso na indústria do transporte marítimo de contentores para concluir que “a construção de um terminal de contentores no Barreiro, seja qual for a sua configuração, não só não vai preparar o País para as perspectivas de crescimento de tráfego antecipadas pela Senhora Ministra, como também não irá contribuir para fazer face às alterações das frotas de navios que se avizinham à escala global e que, precisamente, reclamam a reconversão dos portos para terminais de águas profundas”.

No comunicado, a ACP deixa ainda uma “alfinetada” a Ana Paula Vitorino, ao referir que a ministra, na recente entrevista ao “Público”, “veio revelar que recebeu, afinal, o Estudo “Terminais Portuários e Infraestruturas Logísticas em Portugal”, enviado em 29 de Junho do ano transacto, cuja recepção jamais havia sido confirmada”. Para logo acrescentar: “A forma como a ele se refere revela, no entanto, o total desconhecimento quanto ao conteúdo daquele documento, o que consideramos lamentável e preocupante”.

 

 

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