A Associação Comercial do Porto (ACP) vai apresentar “no prazo de uma semana e meia” um “plano B” para assegurar a viabilidade da TAP.

“Achamos que não há portugueses de primeira e de segunda, todos os portugueses merecem ser considerados”, sustentou o líder da ACP, que, conforme  interpôs uma providência cautelar junto do Supremo Tribunal Administrativo (STA) para impedir a injceção de 1,2 mil milhões de euros do Estado na TAP.

De acordo com Nuno Botelho, se – tal como tem vindo a ser dito pelo Conselho de Administração da TAP “em todas as reuniões” mantidas com a associação — a companhia “só será rentável a partir de Lisboa, então que concentre 100% da operação a partir de Lisboa”.

“Mas o resto do país terá que ser considerado e é isso que nós iremos apresentar: Uma fórmula que vai dar retorno às regiões, vai dar retorno ao país e, ao mesmo tempo, o Estado português, no nosso entender, vai poupar dinheiro, os contribuintes vão poupar dinheiro e a TAP vai ter uma possibilidade de se reorientar, de se reestruturar e de ser viável”.

Apesar de, neste momento, este ser “um plano da Associação” Comercial do Porto, o dirigente associativo quer que seja “um plano agregador“, pelo que convida “todas as entidades, forças vivas, sociedade civil e sociedade política” a associarem-se.

Mas garante: “Isto não é um movimento político-partidário, não é uma ideia para mexer com os partidos, nem para criticar o Governo. Não é nada também contra a TAP nem contra Lisboa, é algo que nós queremos fazer pelos contribuintes portugueses, por Portugal, pelos nossos filhos e pelas gerações que vêm aí”.

“Não estou nada interessado em entrar em politiquice, não é isso que eu quero. Eu quero mesmo é encontrar uma melhor solução para o uso do dinheiro público”, acrescentou.

Para a ACP, numa altura em que se discute um eventual novo apoio ao Novo Banco, é “de elementar prudência o Estado português ter algum cuidado e pensar como é que deve reestruturar uma empresa que, ano após ano, dá prejuízos e tem sido um sorvedouro de dinheiro”.

É que, frisou, os 1,2 mil milhões de euros em cima da mesa “não é dinheiro da Europa, é dinheiro dos portugueses que tem de ser gasto em algo que dê retorno”.

Questionado pelos jornalistas, Nuno Botelho disse não temer pôr em causa a viabilidade da TAP com a providência cautelar agora interposta, apesar de esta ter um efeito suspensivo sobre o financiamento estatal à companhia.

“Contamos que [o tribunal] seja rápido [a decidir], normalmente é célere”, disse, acrescentando que, caso a providência cautelar seja aceite, a ACP está depois “disponível para discutir”, havendo “tempo para encontrar uma solução e para a TAP se reorganizar”.

“Se, como a TAP sempre diz, é deficitário actuar a partir de Faro, da Madeira, dos Açores e do Porto, então vamos falar de outra maneira: Vamos dispensar a TAP desses aeroportos e vamos concentrar a operação em Lisboa e aí deixa ter o argumento de que é deficitária”, afirmou.

Contudo, acrescentou, nesse caso “a TAP, enquanto grupo, terá que se reestruturar e olhar para outros negócios que tem dentro de si e para outras empresas”.

Para o líder associativo, o que é importante “deixar bem claro e sem nada na manga” é que “a Associação Comercial do Porto fez isto como último recurso para obter uma resposta que acha que é justa”, e “de forma rápida”, algo que não tem vindo a conseguir “em todas as discussões que está a ter já há cerca de um mês com a administração da TAP”.

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