Afinal, poderá haver vida na Portela para além de 2017, a data que continua a ser apontada como o horizonte para a inauguração do Novo Aeroporto de Lisboa, em Alcochete. E se assim for, a Alta Velocidade arrisca-se a perder parte substancial das receitas previstas.

“Estamos a equacionar os impactos decorrentes do prolongamento da operação do aeroporto da Portela até 2020 ou 2021”, disse hoje o presidente da ANA, Guilhermino Rodrigues, em Lisboa, num seminário realizado no âmbito da Bolsa de Turismo de Lisboa.

O Governo mantém publicamente a intenção de abrir o Novo Aeroporto de Lisboa em 2017. O facto é que o processo de privatização da ANA e de concessão do NAL continua sem avançar, de tal modo que os potenciais candidatos consideram cada vez mais difícil, para não dizer impossível, cumprir aquele prazo.

Entretanto o aeroporto de Lisboa continua a sofrer investimentos para manter a capacidade de resposta até 2017, quando se estima possa atingir a saturação. A partir daí, a infrta-estrutura poderá continuar a funcionar, mas arriscando perda de qualidade de serviço e sendo incapaz de responder a novas solicitações.

A reflexão que a ANA estará agora a fazer visará, precisamente, avaliar da possibilidade de manter a operação na Portela, com o mínimo de investimento mas também com o mínimo de perda de operacionalidade.

A concentração no Terminal 2 dos tráfegos das companhias low cost é uma das hipóteses há muito faladas. Mas haverá outras alternativas, até por via, agora, do arranque anunciado das operações em Beja.

Mas o adiamento do NAL poderá representar um revés, pelo menos temporário, para o projecto da Alta Velocidade. Isto porque, de acordo com informação hoje avançada pelo “DE”, a Rave conta obter com o futuro “shuttle” entre Lisboa e Alcochete cerca de metade das receitas do tráfego de passageiros entre Lisboa e Madrid.

Segundo os últimos estudos de receitas de bilheteira realizados pela Rave, concretiza o “DE”, ao longo dos 40 anos de concessão a linha Lisboa-Madrid deverá render 6,4 mil milhões de euros, ao passo que só o “shuttle” para Alcochete deverá gerar três mil milhões de euros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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