Chegou a querer assumir-se como alternativa a Madrid-Barajas. Hoje, o aeroporto de Ciudad Real luta para manter as portas abertas, afogado em dívidas.

Apenas uma companhia, a Vueling, voa ainda de e para Ciudad Real. E mesmo essa beneficiando para tal de ajudas públicas de 2,3 milhões de euros. Valha a verdade, nunca foram muitas: a Air Berlin e a Ryanair por ali passaram pouco tempo. E mesmo a aposta na carga não vingou. Pelo menos até agora.

O aeroporto de Ciudad Real, o primeiro aeroporto privado espanhol, parecia ter tudo para ser um sucesso. Estava próximo de Madrid (cerca de 100 quilómetros apenas), tinha a Alta Velocidade ali ao lado (a prevista estação não chegou a ser construída), espaço para se expandir e atrair operadores logísticos, o apoio incondicional dos poderes públicos locais e da Caixa da Castilla La Mancha.

A verdade revelou-se bem diferente. O atraso no início das operações, a falta de um plano de negócios e de um estudo de mercado capazes e a incapacidade em atrair tráfegos praticamente reduziram o aeroporto a um projecto imobiliário que deu para o torto.

As fragilidades do projecto tornaram-se mais evidentes quando a Caixa de Castilla La Mancha teve de ser intervencionada pelo Banco de Espanha, precisamente por estar demasiado exposta ao empreendimento: como accionista, como financiadora dos outros accionistas de referência e como suporte dos avultados investimentos realizados.

A gestão do aeroporto está agora entregue a administradores judiciais. As dívidas reconhecidas ascendem a 230 milhões de euros (e muitos mais ficaram de fora do processo). Cerca de 90 trabalhadores têm os seus contratos temporariamente suspensos.

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