O Ministério da Agricultura quer saber se a lei foi cumprida na atribuição dos cartões que permitem à Takargo abastecer as suas locomotivas com gasóleo “verde”, 20% mais barato que o rodoviário.

Eduardo Pimentel, administrador da Mota-Engil, insiste em que a Takargo “tem a mesma autorização que outros operadores ferroviários para usar gasóleo agrícola”, e justifica-o “porque o transporte ferroviário é mais ecológico; e é dado esse incentivo a todos os operadores ferroviários, públicos e privados”, cita o “DN”.

Para fazerem os abastecimentos (um milhão de litros mensais), os funcionários da transportadora ferroviária de mercadorias utilizam cartões emitidos pelo Ministério da Agricultura. O mesmo que agora decidiu proceder a uma “averiguação completa” para “perceber se a Portaria 117/2008 está a ser cumprida”, anunciou.

A iniciativa do ministério de António Serrano surge depois dos protestos da ANTP, pela voz de António Lóios, que acusou a Takargo de fazer concorrência desleal aos operadores rodoviários; e o Governo de subsidiar um operador privado, com isso perdendo cerca de 200 mil euros de ISP mensais.

Na mesma linha, a Antram já veio dizer esperar “que o Governo, através dos ministérios da Agricultura, das Finanças e dos Transportes, e até a própria Autoridade da Concorrência, venham esclarecer este benefício, porque tratando-se de uma empresa de transporte de mercadoria faz concorrência ao transporte rodoviário”.

A apresentação de uma queixa ao Comissário Europeu da Concorrência é uma hipótese em aberto, acrescentou António Mousinho, presidente da Direcção da Antram.

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