O alargamento do Canal do Panamá será benéfico para os portos portugueses, e para Sines em particular, assim o sector marítimo-portuário nacional faça o “trabalho de casa”. O primeiro passo foi dado ontem, precisamente em Sines.

O desafio para a constituição de um grupo de trabalho entre os portos e as comunidades portuárias nacionais, para o aproveitamento das oportunidades criadas pelo alargamento do canal do Panamá, foi deixado pelo presidente da Comunidade Portuária de Sines, no encerramento da 1.ª Conferência daquela comunidade, precisamente sobre “O Impacto do Novo Canal do Panamá nos Portos Portugueses”.

A conferência terá sido, pois, um “pontapé de partida” para “tratar a questão [das oportunidades do alargamento do Canal do Panamá]. Pensar e trabalhar em conjunto”, sublinhou Carlos Vasconcelos.

Todos os oradores coincidiram em reconhecer que a abertura do Canal do Panamá a navios de 13 000 TEU, a partir de 2014, irá alterar o desenho das principais rotas de navegação, e que os portos nacionais (e os outros da fachada atlântica da Península) poderão beneficiar com isso, colocados que estarão, mais do que nunca, na encruzilhada dos fluxos Norte-Sul e Este-Oeste.

Do mesmo modo, foi unânime que Sines é naturalmente o porto com mais aptidão para funcionar como grande porto hub. Leixões e Lisboa, também representados no encontro, esperam todavia também beneficiar com aquela primazia.

Certo é ainda que os principais portos nacionais investiram, e investem, para responderem ao desejado aumento dos volumes de cargas. Administrações portuárias e concessionários continuam a melhorar as infra-estruturas e os equipamentos de movimentação de carga e muito tem sido feito – e está a ser feito – também ao nível da facilitação dos procedimentos. Eles são os cais e os molhes de protecção, os pórticos e as portarias únicas, a JUP e a JUL. Além dos planos de expansão – para Lisboa mas sobretudo para Sines.

O ser um porto de transhipment é um desígnio para Sines. Mas, como avisou Carlos Pais Montes, da Universidade da Corunha, há que investir também na procura interna e no desenvolvimento do tecido empresarial, por exemplo, com a criação de zonas francas como a de Barcelona.

E há que garantir também as melhores condições para o acesso ao centro da Península e à Europa. Onde a ferrovia desempenhará um papel fundamental, como destacou Lídia Sequeira, apesar das muitas resistências sentidas a cada passo, lamentou.

E haverá que contar, ainda, com a concorrência dos outros portos. De novo, o universitário galego destacou o papel que estará reservado a Ferrol, cujo terminal de contentores está concessionado à portuguesa TCL.

O repto de Carlos Vasconcelos seguiu de perto a intervenção do presidente executivo da AICEP Global Parques, que deixou muitas questões sobre o real impacto do alargamento do Canal do Panamá na Europa e no mundo, e também chamou a atenção para a necessidade de definir em concreto o que se pretende fazer, com quem e onde.

O embaixador do Panamá, que representou a Autoridade do Canal do Panamá, deixou algumas respostas e outras quantas pistas. Nomeadamente, quando sublinhou o papel que poderá desempenhar o cônsul de Portugal no Panamá (para mais, disse, meio a sério meio a brincar, quando tem acesso familiar a um dos homens fortes dos media locais…). Mas também quando disponibilizou o texto do Memorando de Entendimento firmado com o porto de Algeciras, e que poderá ser replicado.

Comments are closed.