As alianças de transporte marítimo de contentores concentram cada vez mais a oferta de capacidade, superando mesmo os 95% no Ásia-Europa, de acordo com Fórum Internacional dos Transportes (ITF).

A análise é publicada numa altura em que a Comissão Europeia debate o fim, ou a continuação, do regulamento que permite às companhias marítimas operarem em alianças. O documento, assinado por Olaf Merk, especialista em portos e transporte marítimo do ITF, conclui com argumentos a favor da revogação das alianças.

“O transporte marítimo contentorizado tornou-se mais concentrado e integrado verticalmente e deteriorou-se no que diz respeito a vários indicadores de desempenho relacionados com as rotas comerciais de e para a Europa”, indica.

No que se refere à concentração do mercado, o estudo indica que, até 2015, as alianças tinham quotas de mercado conjuntas inferiores a 50% nas principais rotas Leste-Oeste em que a Europa participava. Em 2018, no entanto, essa proporção ultrapassava já os 95% nos serviços entre a Ásia e a Europa e ficava acima dos 70% nas rotas entre o Norte da Europa e a América do Norte.

Quota da 2M chega aos 39%

A concentração é ainda mais evidente na análise individual das alianças. Por exemplo, no final de 2018, a aliança 2M (Maersk e MSC) tinha uma quota de 39% nos serviços Mediterrâneo-Ásia e de 35% nos serviços Ásia-Norte da Europa.

Essa percentagem representa um factor-chave, de acordo com o relatório, que considera “provável” que a maioria das alianças não cumpre as disposições do chamado regulamento de isenção por categoria (BER, na sigla em inglês), que permite o estabelecimento desses acordos. Especificamente, o BER prevê um limiar de quota de mercado de 30%, pelo que as alianças com quotas de mercado acima desse nível já não são abrangidas por ele.

De acordo com os dados coligidos pela ITF, entre as alianças que operam nas rotas comerciais com origem ou destino na Europa, apenas quatro têm uma quota de mercado inferior a 30%. O documento alerta, porém, para a dificuldade em ter a “certeza absoluta” nesse cálculo, na medida em que o “limiar é definido em quota de mercado, mas apenas as quotas de capacidade estão disponíveis de forma pública”.

 

 

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