As previsões de que o equilíbrio entre oferta e procura no transporte marítimo de contentores será alcançado já no próximo ano são “optimistas”, considera a Alphaliner, que antecipa que tal só acontecerá no terceiro trimestre de 2019.

navios imobilizados

A Alphaliner avisa que, mesmo nessa altura, o cenário de equilíbrio oferta-procura poderá ser de curta duração, dada a nova onda de encomendas, desencadeada pelos anúncios recentes da CMA CGM e da MSC de novos mega-navios de 22 000 TEU com entregas a partir do segundo semestre de 2019.

Em relação ao ano em curso, a Alphaliner prevê que as novas entregas, previstas a partir do quarto trimestre de 2017 e que adicionarão 1,6 milhões de TEU à capacidade global, agravarão a pressão sobre a oferta do sector.

A Alphaliner contabiliza a actual frota inactiva em 147 navios, com uma capacidade conjunta de 275 897 TEU e prevê que esse número vai aumentar no último trimestre do ano, com a capacidade ociosa total a disparar para 800 000 TEU.

“A frota mundial total crescerá em mais de 300 mil TEU nos próximos três meses devido à entrega de novas embarcações, mesmo após o ajuste relacionado com as projecções de desmantelamentos previstos, e isso aumentará ainda mais a pressão do lado da oferta”, avisa a consultora.

No entanto, o actual aumento dos preços do aço poderá encorajar mais armadores a enviaram para abate navios mais antigos. As recentes vendas de sucata atingiram 425 dólares (361,5 euros) por tonelada LDT, em comparação com 350 dólares (297,7 euros) no final de Julho.

De acordo com os dados mais recentes da corretora Braemar ACM, 16 navios porta-contentores foram vendidos para sucata nos últimos 30 dias, elevando o total do ano para 131, com uma capacidade total de 380 000 TEU, em comparação com 119 navios e um total de 407 500 TEU no mesmo período de 2016.

Não obstante este cenário, a Alphaliner prevê que a “turbulência” dos preços dos fretes irá manter-se no próximo mês e que as saídas canceladas para a semana de 1 a 7 de Outubro, a seguir ao feriado da China, serão “insuficientes para combater a queda da procura”.

A consultora considera que “serão necessários cortes de capacidade mais profundos para a temporada de Inverno, mas as operadoras até agora escolheram, porém, reduzir os preços”.

 

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