As manchetes sobre a digitalização do transporte marítimo de contentores têm pouca aderência à realidade, de acordo com a Alphaliner. A consultora vê potencial na tecnologia, mas lembra que o sector é particularmente resistente a mudanças radicais.

Navio contentores

A Alphaliner indica que, “desde que a primeira geração de portais de transporte marítimo foi lançada, em 2000, o mercado de transporte marítimo de contentores não viu nenhuma mudança radical na forma como os negócios são conduzidos”.

“As três principais plataformas de transporte multi-transportador, INTTRA, GT Nexus e CargoSmart, fornecem apenas soluções básicas de software de serviços para lidar com reservas de carga, instruções de envio, rastreamento e gestão de excepções e relatórios”, indicam desde a consultora.

A Alphaliner vai mais longe e afirma que as tentativas das operadoras de criarem plataformas de comércio electrónico “fracassaram” e que as parcerias, firmadas desde o ano passado, entre o gigante chinês de comércio electrónico Alibaba e vários transportadores globais “gerou muito pouco volume, apesar do alarido inicial”.

A consultora argumenta também que a atribuição de uma licença NVOCC à Amazon para reservar espaços na rota trans-Pacífico China-EUA desencadeou “um fluxo de especulações sobre como a Amazon poderia potencialmente revolucionar o sector de navegação”, mas que mais de um ano depois os resultados são desanimadores. “Os volumes reais de carga permanecem muito pequenos e a companhia não conseguiu produzir avanços disruptivos no mercado de frete”.

Financiamento avultado

Pelas contas da consultora, start-ups tecnológica relacionadas com o transporte marítimo de contentores angariaram financiamentos superiores a 500 milhões de dólares (421,8 milhões de euros) de euros. Entre essas start-ups estão nomes como a Flexport, Freightos, Haven, iContainers. Xeneta, NYSHEX, Clearmetal, Kontainers, Traxens e Cargobase.

Além disso, acrescenta a Alphaliner, “as transacções envolvendo aquisições de tecnologia relacionadas com o transporte marítimo ultrapassaram mil milhões de dólares [843,7 milhões de euros], lideradas pela aquisição, em 2015, da GT Nexus pela Infor por 675 milhões de dólares [569,5 milhões de euros]”.

A consultora considera que, mesmo muito melhor financiadas do que as companhias tecnológicas das duas décadas anteriores, nenhuma dessas start-ups, conseguiu ainda responder de forma adequada aos desafios que a indústria, como um todo, enfrenta.

Moderar o alarido dos media

Tan Hua Joo, analista da Alphaliner autor do relatório, afirma, citado pelo “The Loadstar”, que a sua opinião não tem como base o potencial da tecnologia, em que acredita, mas antes a forma como esta tem sido retratada na comunicação social.

“A minha intenção não era colocar em causa os esforços dos envolvidos, nem concluir que a tecnologia não pode revolucionar a indústria, mas mais moderar o alarido e narrativas irrealistas sobre o tema da digitalização na comunicação social dos transportes”, referiu.

 

 

 

 

 

 

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