A venda de parte do negócio de Alta Velocidade da Siemens e da Alstom, no âmbito do processo de fusão, já tem cinco candidatos: Talgo, CAF, Hitachi, Stadler e Bombardier.

Alta Velocidade: Siemens e Alstom propõem vender Velalo ou Pendolino

A francesa Alstom e a alemã Siemens propuseram, em Dezembro, à Comissão Europeia a venda de um dos seus dois programas de Alta Velocidade, o Pendolino (250 km/h) ou o Velaro (mais de 300 km/h) para obterem a aprovação da fusão.

O valor dos dois activos não foi revelado, mas Siemens e Alstom anunciaram, aquando da apresentação da proposta de alienação das áreas de negócio, que estas representam 4% do volume de negócios combinado, que ascenderá a 15 mil milhões de euros. Portanto, os dois programas terão um valor conjunto a rondar os 600 milhões de euros.

A proposta da Siemens e da Alstom contempla a venda das patentes dos produtos, de fábricas onde são produzidas as composições, de contratos em curso e até a disponibilização de pessoal técnico para facilitar a transferência da tecnologia.

O Pendolino da Alstom é considerado o comboio de Alta Velocidade mais versátil. O que pode ser um bom trunfo quando se aproxima a liberalização dos mercados de transporte ferroviário de passageiros de longo curso. Mas o Velaro da Siemens também opera em diferentes países, desde logo na Alemanha, mas também em Espanha, na Turquia, na Rússia e nas ligações entre Paris e Londres pelo túnel da Mancha.

Aquando do anúncio do acordo de fusão, a Comissão Europeia expressou a sua preocupação com os efeitos da fusão sobre as condições do mercado ferroviário que, na Europa, será reduzido a poucos concorrentes. Bruxelas abriu, entretanto, um processo de consulta aos principais clientes dos fabricantes. Os serviços da Comissária europeia da Concorrência, Margrethe Vestager, publicarão o seu relatório antes do próximo dia 18 de Fevereiro.

Os principais rivais na Europa da aliança franco-alemã são as espanholas CAF e a Talgo, a canadiana Bombardier, a japonesa Hitachi (com fortes interesses na Europa após a compra da italiana Ansaldo) e a suíça Stadler. Fora da Europa, a indústria ferroviária japonesa, o gigante chinês CRRC e os operadores coreanos, com a Hyundai-Rotten à cabeça, destacam-se.

Segundo fontes próximas do processo, os principais operadores europeus concordam que a melhor solução para facilitar a fusão Siemens-Alstom é Bruxelas aceitar a proposta de venda do programa Velaro.

 

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