Em duas décadas apenas (1995-2016), Espanha desperdiçou 26,2 mil milhões de euros com a Alta Velocidade, acusa a Associação de Geógrafos Espanhóis.

Dito por outras palavras, mais de metade dos 42 mil milhões de euros investidos pelo país vizinho na rede ferroviária de Alta Velocidade – uma das maiores do mundo – foram desperdiçados, seja por actos de corrupção, seja em obras subutilizadas, em projectos inúteis ou em prioridades erradas, sustenta a associação, num estudo realizado com a colaboração de várias universidades, entre elas a Complutense de Madrid.

O caso mais gritante de dinheiro mal gasto, na opinião dos geógrafos espanhóis, é a linha Madrid-Barcelona-fronteira francesa (incluindo o túnel de Pertús, recentemente retomado pelos estados espanhol e francês), com um desperdício calculado em 8 966 milhões de euros.  Mas a lista é grande, como refere o “El País” na sua edição de hoje (ver infográfico).

Muitos projectos avançaram sem a realização de estudos de custo-benefício, ou com estimativas de procura mirabolantes. Acrescem os gastos sumptuários em estações milionárias, as linhas semi-abandonadas ou mesmo abandonadas, etc..

Portos, aeroportos e estradas

No total, a Associação de Geógrafos Espanhóis contabiliza 81 mil milhões de euros malbaratados em duas décadas em infra-estruturas. Incluindo os compromissos já assumidos, aquele valor poderá chegar aos 97 mil milhões de euros.

Sendo que o ritmo do desperdício não foi sempre igual: chegou a representar 20% do PIB entre 1996 e 2007, tendo caído depois da crise para os 3%.

A Alta Velocidade representa mais de metade dos gastos desnecessários, mas não tem o exclusivo. Os portos e os aeroportos representam 9,5 mil milhões de euros, por exemplo, e as estradas 5,9 mil milhões.

Entre os portos, o exemplo máximo do desperdício apontado pelos geógrafos é o porto exterior de A Coruña. Nos aeroportos, dizem, basta ler os relatórios da Aena (a gestora aeroportuária) para constatar que um terço das instalações são dispensáveis.

No relativo às estradas, nota-se que cinco milhões de euros respeitam às auto-estradas construídas depois de 2000, com destaque para as Radiais de Madrid, que agora estão a ser resgatadas pelo Estado.

 

 

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