O aeroporto do Montijo viu ontem confirmada a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) positiva, condicionada ao cumprimento das 160 medidas já anunciadas pela APA.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) confirmou, ontem à noite, a viabilidade ambiental do novo aeroporto no
Montijo. Mas a decisão mantém as cerca de 160 medidas de minimização e compensação a que a ANA – Aeroportos de Portugal “terá de dar cumprimento”, e que têm um custo avaliado em cerca de 48 milhões de euros, adianta a nota da APA.

Em comunicado, a APA afirma ter emitido uma DIA “relativa ao aeroporto complementar do Montijo, confirmando a decisão favorável condicionada à adopção da Solução 2 do estudo prévio da extensão sul da Pista 01/19 e solução
alternativa do estudo prévio da ligação rodoviária à A12”.

A APA acrescenta que as medidas – relacionadas com a avifauna, ruído, mobilidade e alterações climáticas – “permitem minimizar e compensar os impactes ambientais negativos do projecto, as quais serão detalhadas na fase de projecto de execução”.

Entre as medidas anteriormente anunciadas estão o isolamento acústico dos edifícios próximos do novo aeroporto e a compra de duas embarcações eléctricas para a Transtejo, para o transporte de passageiros.

A ANA, recorde-se, manifestou-se surpreendida com as medidas anunciadas pela APA e terá feito uma contraproposta, que aparentemente não teve grande acolhimento. A partir daqui fica por saber se a gestora aeroportuária será compensada pelo anunciado sobretudo de 48 milhões de euros e como.

Governo aplaude; ambientalistas contestam

O Governo já se congratulou com a emissão da DIA, considerando que este era o passo que faltava para avançar com o aeroporto do Montijo.

 

Em comunicado, o Ministério das Infraestruturas e da Habitação sublinha que as medidas exigidas pela APA “devem ser agora respeitadas no relatório de conformidade ambiental do projecto de execução seguindo-se o início da obra”.

Oito organizações ambientalistas já anunciaram ir recorrer aos tribunais e à Comissão Europeia para travar o aeroporto no Montijo, por considerarem “ir contra as leis nacionais, as directivas europeias e os tratados internacionais”.

Em comunicado, as organizações ambientalistas Almargem, ANP/WWF, A Rocha, GEOTA, LPN, FAPAS, SPEA e Zero reiteram que todo o processo referente ao novo aeroporto de Lisboa, considerado estratégico para o país, “tem forçosamente que ser apreciado no contexto de uma avaliação ambiental estratégica” em que sejam ponderadas
todas as opções possíveis.

“A construção de um novo aeroporto não pode ser decidida como um projecto avulso, desenquadrado dos instrumentos de planeamento estratégico aos quais o país está vinculado, e tem de ter como base o conhecimento mais completo e actual de todas as componentes (climática, ecológica, social, económica, etc.)”, salientam os
ambientalistas.

 

This article has 2 comments

  1. Com a pista do Montijo os A330 da TAP não podem aterrar apenas os A 320 das low cost

  2. A alternativa Alcochete além da vida útil 10 * maior (150 anos / 15 anos) permitia que os aviões operassem (levantar e aterrar) 24 hs por dia, a solução Montijo é de 3o mundo !!