Crescer quase 10% em volume de negócios e avançar na digitalização são os objectivos para 2017 da TAP Cargo, agora liderada por Américo Costa, que sucede a José Anjos, avançou ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS.

TAP Carga

Quase dez anos volvidos, metade dos quais passados como consultor na TAP Manutenção e Engenharia Brasil, Américo Costa retorna à TAP Cargo, que dirigiu entre Janeiro de 204 e Setembro de 2007, quando foi substituído por José Anjos, que agora se aposenta.

No regresso, o executivo diz ter encontrado uma empresa diferente, para melhor, sublinha, e com novos desafios, decorrentes das crises entretanto ocorridas mas também das mudanças acontecidas na gestão da companhia aérea.

T&N – Como encara este regresso à liderança da TAP Cargo?

Américo Costa – Encaro com grande entusiasmo e renovada motivação para ajudar a TAP Cargo a prestar um serviço confiável de recolha, transporte e entrega de mercadorias e encomendas, nos aviões TAP e de parceiros, em tempo útil e adequado às necessidades dos clientes, a preços competitivos.

T&N – Principais diferenças face à TAP Cargo que deixou há uns anos?

Américo Costa – Tecnologias de Informação e pessoas, ou seja, possuímos hoje em dia novos sistemas informáticos integrados de revenue accounting de carga e correio, state of art da indústria da aviação e da logística. Quanto às pessoas, encontrei uma equipa forte, coesa e motivada com skills orientados para o cliente e grandes aptidões de nível académico e de formação profissional.

Agora e aqui, quero manifestar o meu profundo agradecimento ao meu antecessor, engº José Anjos, pelo excelente “trabalho de casa” realizado.

T&N – Principais desafios – e novidades – para este ano, decorrentes, nomeadamente, das alterações dos mercados (Brasil, Angola,…) e das novas apostas da companhia em termos de network?

Américo Costa – Duas grandes apostas em paralelo – tecnológica e comercial -, que passam pela implementação efectiva do e-freight em Portugal (e-AWB) e e-booking, numa altura que temos as ferramentas adequadas.

Em termos comerciais, vamos apostar nas rotas do Atlântico Norte para a captura de mais receitas para os destinos dos Estados Unidos e Canadá (começamos a operar Toronto em A330 a partir do próximo 10 de Junho). Queremos potenciar Miami como placa giratória para os destinos da América Central através de acordos tailor made com parceiros dos continentes asiático e americano.

Com a recuperação económica do Brasil e Angola, pretendemos encetar planos de ação promocional específicos.

Mais ainda, vamos reforçar a parceria com a companhia brasileira Azul, do grupo TAP, na promoção conjunta de todos os voos de ambas as redes, racionalização dos custos operacionais, nomeadamente ao nível do insourcing e obtenção de sinergias das ferramentas dos negócios e das forças de vendas.

Por último, queremos uniformizar o portfolio de produtos e, previsivelmente, lançar um novo produto para entrar no negócio do e-commerce de forma mais assertiva.

T&N – Como evoluíram os principais indicadores da TAP Cargo em 2016 vs. 2015?

Américo Costa – O ano de 2016 foi terrível para a carga aérea de uma forma geral e a TAP não foi excepção, principalmente devido às quedas substanciais de receita para os destinos de Angola (-22%) e Brasil (-19%), por causa das respetivas recessões económicas.Isso afectou a nossa receita global, que ficou nos 102.3 milhões de euros, embora o volume de carga transportado tenha diminuído apenas 4%.

T&N – Objetivos para 2017?

Américo Costa – Para 2017, pretendemos alcançar uma receita de 110 milhões de euros em resultado da implementação da nossa estratégia operacional de optimização  do espaço disponível dos porões da nossa frota e de fretamentos à medida das necessidades dos nossos clientes, bem como, explorar e potenciar os acordos de parceria estratégica com outros operadores da indústria.

A estratégia comercial passa pela optimização do pricing em função da melhoria do produto a oferecer e de uma relação de grande proximidade com  os nossos clientes ao nível da promoção, bem como, proporcionar-lhes os saltos qualitativos que vamos dar na distribuição (e-booking e e-AWB)

 

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