A ampliação do terminal de contentores Sul em Leixões implicará um investimento de cerca de 50 milhões de euros. APDL e TCL estão de acordo quanto à urgência da obra, mas ainda discutem quem pagará o quê.

2013 é agora o prazo limite estabelecido pela administração portuária e pela concessionária do terminal de contentores para se avançar com as obras de ampliação do terminal Sul, em Matosinhos. O projecto vem sendo discutido há anos, praticamente desde que a TCL atingiu os 400 mil TEU, mas ganhou uma nova urgência porque Leixões chegou já aos 600 mil TEU, quatro anos antes do previsto no modelo financeiro da concessão.

Em parte fruto de circunstâncias excepcionais, é certo, a verdade é que a TCL está já a trabalhar sobre o limite da capacidade instalada, e com o recurso ao “aluguer” de parte do terminal Multiusos. Na verdade, no pico da crise provocada pelas greves em Lisboa, praticamente qualquer espaço livre dentro do perímetro portuário serviu para depositar contentores.

Lopo Feijó, administrador da TCL, aproveitou a cerimónia dos 600 mil TEU para voltar a pedir, publicamente, à APDL uma decisão rápida sobre o processo de ampliação do terminal Sul. Porque, lembrou, os investimentos do género levam tempo, e também, como sublinhou ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS, “porque os trabalhos terão de ser desenvolvidos com o terminal a laborar, e quanto mais tarde começarmos mais difícil será”.

Tal como está, a capacidade do terminal Sul rondará os 400 mil TEU/ano. Com a ampliação do parque de contentores e o redesenho do layout do terminal, poder-se-á ganhar “uns 35%-40% de capacidade”, estima Lopo Feijó.

Na prática, a ampliação far-se-á dentro dos actuais limites físicos do terminal. Mas implicará o reforço do solo na nova área destinada ao parqueamento de contentores cheios e, claro, mais investimentos em equipamentos de movimentação de cargas. Cinquenta milhões de euros é o valor estimado do investimento, segundo a concessionária. Falta saber quem paga.

De acordo com o contrato de concessão, os investimentos na infra-estrutura são da responsabilidade da administração portuária, enquanto a concessionária assegurará os investimentos nos equipamentos (super-estrutura). Mas estes investimentos em particular não estão previstos no contrato.

Com as duas partes em sintonia sobre a necessidade da expansão, as conversas entre a administração portuária e a concessionária têm-se centrado em acertar quem paga o quê. Sendo certo que a TCL estará disponível em pagar tudo, conquanto seja compensada por isso.

O “caso” da ampliação do contrato da concessão da Liscont, primeiro, e a mudança de Governo e a indefinição sobre o modelo de governance dos portos, depois, prejudicou as negociações. Mas agora, há poucos dias, o secretário de Estado dos Transportes esteve em Leixões (pela primeira vez em ano e meio de mandato) e terá deixado boas indicações sobre o rápido desfecho das negociações.

Se tudo correr pelo melhor, as obras iniciar-se-ão ainda em 2013.

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