Os portos comerciais marítimos do Continente movimentaram cerca de 88,1 milhões de toneladas de mercadorias em 2016, o que significa um acréscimo de 5% face ao ano anterior, anunciou hoje a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT).

Porto de Leixões - monoboia

De acordo com o Relatório do Mercado Portuário da AMT, para este desempenho contribuíram decisivamente os granéis líquidos e a carga contentorizada, com crescimentos homólogos de 7,2% e 15,5%,  e que garantiram 39,8% e 30,9% dos volumes totais.

A AMT refere também o contributo “simbólico da mercadoria movimentada em ‘roll-on/roll-off'”, que garantiu 1,1% do movimento total depois de crescer 14,9% face a 2015.

Em sentido inverso, a carga fraccionada registou uma quebra de 16,6%, enquanto os granéis sólidos baixaram 3,5%.

Petróleo bruto com forte quebra

Relativamente ao tipo de mercadorias que condicionou “de forma mais significativa este comportamento do sistema portuário”, a AMT destaca o petróleo bruto, cujo volume global “representou 21,1% do total movimentado e registou uma variação [negativa] de 3,1 milhões de toneladas”.

Para justificar tais mudanças, o regulador aponta a inactividade do Terminal Oceânico de Leixões durante seis meses para manutenção da monobóia em estaleiro, situação que levou a que “cerca de 1,7 milhões de toneladas” destinadas ao porto nortenho e transportadas “em navios de grande dimensão fossem descarregadas em Sines e posteriormente reembarcadas para Leixões, em navios de menor dimensão”.

“Das outras mercadorias que, pelo volume movimentado, condicionaram o comportamento do sistema portuário, destacam-se os produtos petrolíferos, que representaram 16,4% e registaram um recuo de 2,4% face ao ano anterior, o coque, com uma quota de 6,5% registou também uma quebra de 4,8%, e os produtos da agricultura, que registaram uma quota de 5,1% e um acréscimo de 4,3%”, assinala
a AMT.

A autoridade refere também o “papel importante” da carga contentorizada, mas sem indicar valores, já que “é difícil referir a mercadoria mais relevante”, devido ao facto de “o principal motor do seu crescimento resultar das operações de transhipment”.

A AMT aponta ainda o peso dos produtos alimentares, bebidas e tabaco e da madeira e cortiça, “que representam, no conjunto, cerca de 5,3% do volume total de mercadorias transportadas”.

Sines em destaque

Entre os portos, merece natural destaque o de Sines, que movimentou 48 milhões de toneladas de mercadorias (54,6% do total nacional), 16,6% mais do que no ano de 2015.

Seguem-se Leixões, com uma quota de mercado de 19,2% (mas com uma quebra homóloga de 3,4%), e Lisboa, com uma fatia de 10,6% do total (e menos 11,1% do que no ano anterior), castigado pela instabilidade laboral.

“Além de Sines, o único porto que registou um comportamento positivo foi o da Figueira da Foz, cujo volume de mercadorias excedeu em 3,9% o de 2015, recuperando parcialmente da quebra então observada”, observa a AMT.

Quanto aos tipos de tráfego, o internacional teve um acréscimo de 0,7%, enquanto o nacional teve uma variação positiva de 43,9% relativamente a 2015, lê-se no relatório.

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