A partir de Janeiro do próximo ano, a ANA implementará um sistema de incentivos para as companhias que criem novas rotas ou aumentem a frequência das existentes na vertente da carga.

A novidade foi avançada por José Manuel Santos, o responsável pelo desenvolvimento do negócio da carga aérea na gestora aeroportuária, no Seminário de Transporte Aéreo promovido pelo TRANSPORTES & NEGÓCIOS.

Confrontado com os custos elevados da utilização das infra-estruturas de carga nos aeroportos, em particular no de Lisboa, o mesmo responsável disponibilizou-se para tentar influenciar para a mudança a gestão do negócio imobiliário da ANA, nomeadamente no concernente às rendas cobradas.

José Manuel Santos não se comprometeu com o aumento da capacidade instalada nos centros de carga aérea de Lisboa e Porto, mas prometeu um levantamento das necessidades de melhoria e um contacto mais directo com os diversos players do sector.

As companhias aéreas estão atentas às oportunidades do mercado e dispostas a responder-lhes positivamente, assim seja garantida a rendibilidade das operações. Isso mesmo disseram Enrica Calonghi, responsável por Portugal e Espanha da AF-KLM Cargo, e Mário Ferreira, director para Portugal da Lufthansa Cargo.

Os mercados emergentes de África e da América Latina, em particular de Angola e do Brasil, tão importantes para os operadores nacionais, estão também na mira daquelas operadoras, que vêm reforçando a sua oferta de capacidade para aqueles destinos a partir dos respectivos hubs… ou da vizinha Espanha.

Mais voos, directos se possível, é o que pretendem os carregadores. Norberto Bessa, da Parfois, e Custódio Costa, da Bosch Car Multimédia Portugal, queixaram-se dos custos, em tempo e dinheiro, da falta de voos cargueiros para o aeroporto do Porto (no caso). E nem os operadores expresso escaparam às críticas, uma vez que a distribuição a partir dos hubs europeus nem sempre será a mais segura.

Apesar das dificuldades sentidas por todos, o mercado português de carga aérea está a crescer. Pelo menos a avaliar pelos dados do CASS, trazidos para o debate pelo Cargo Manager da IATA para Portugal e Espanha, Francisco Bataglia. Uma mensagem optimista que, mesmo sem esse propósito, acabou por contrastar com a apresentação do Cargo Manager da IATA para a Europa.

Stephane Noll fez o ponto da situação do sector a nível global e elencou os desafios que se colocam à indústria, no curto e médio prazo, à escala global, e cujos resultados terão um forte impacte na actividade do transporte aéreo e, logo, no comércio mundial.

Um sério desafio será, já a partir de Janeiro próximo, o arranque do comércio de emissões de CO2 imposto unilateralmente pela União Europeia às companhias que voem de/para os seus aeroportos. Carlos Gomes (INAC) apresentou as linhas-mestras de implementação do sistema, que trará inevitavelmente custos para as companhias (a menos que não consumam todas as licenças a que têm direito e as transaccionem). Mas sublinhou também que tudo poderá ser ainda adiado…

O Seminário de Transporte Aéreo do TRANSPORTES & NEGÓCIOS reuniu no Porto cerca de 80 profissionais do sector da carga aérea, entre gestores das infra-estruturas, companhias aéreas, operadores de handling, agentes de carga aérea e carregadores.

A sessão teve o apoio da ANA, DHL Express, INAC, Portway e TAP Carga.

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