O governo de Angola pretende estabelecer parcerias público-privadas (PPP) para assegurar os serviços ferroviários do país, anunciou o ministro dos Transportes na abertura do encontro sobre o Plano Director Nacional do sector dos transportes.

As declarações do ministro Augusto da Silva Tomás vão ao encontro do avançado há dias pelo “Africa Monitor Intelligence” sobre a intenção de Luanda ceder os três caminhos de ferro nacionais a parceiros internacionais ou regionais, da África do Sul em especial, com capacidade financeira e técnica.

Os enormes défices de exploração que as três linhas registam, com receitas insuficientes para pagar salários, e as obrigações financeiras decorrentes do investimento da sua reabilitação e aquisição de material circulante são considerados um encargo muito pesado pelo Executivo angolano.

O “Africa Monitor Intelligence” sublinhou que os prejuízos permanentes de exploração são consequência das baixas taxas de operacionalidade das linhas depois da sua reabilitação e reequipamento que representou um investimento global de 3,5 mil milhões de dólares.

A irregular ou pouco frequente circulação de comboios nas três vias é atribuída a factores de natureza estrutural e
organizativa, nomeadamente problemas técnicos de concepção e construção das vias, carência de pessoal especializado no acompanhamento das obras e desadequação ou má qualidade do material circulante.

A linha de caminho de ferro de Luanda foi construída pela  China Railway International Group tendo custado 600 milhões de dólares; a linha de caminho de ferro de Benguela custou 1,8 mil milhões de dólares e foi construída pela China Railway 20 Bureau Group Corporation (CR20); e a linha de caminho de ferro de Moçâmedes, construída pela  chinesa China Hiway, custou 200 milhões de dólares.

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