Face às dificuldades dos operadores públicos nacionais em corresponderem à aposta no desenvolvimento da ferrovia, o governo de Luanda quer atrair empresas privadas, angolanas ou estrangeiras, para o sector.

O director do Instituto Nacional dos Caminhos-de-Ferro de Angola (INCFA), Júlio Bango, considera imperiosa a participação de empresas privadas na actividade ferroviária no país, visto que ajudará o Governo a desenvolver o sector e a prestar um melhor serviço à população.

Em declarações à imprensa, à margem de uma reunião entre o ministro dos Transportes, Augusto Tomás, e funcionários do sector, aquele responsável disse que o Estado está aberto a parcerias com empresas de direito angolano ou estrangeiro que pretendam cooperar, desde que cumpram com as exigências impostas.

“Isso não acontecia outrora, porque a economia era centralizada, mas hoje ela é capitalista (de mercado), e o Estado está aberto a outros operadores interessados na linha de Malanje, Benguela e Moçâmedes, desde que estejam devidamente licenciados e tragam os seus comboios (tanto as unidades motoras como os vagões)”, disse.

Júlio Bango explicou que a lei angolana sobre a actividade ferroviária confere essa possibilidade, que até aqui não se verifica, certamente pelo atraso na conclusão dos Caminhos-de-Ferro de Luanda (CFL), de Moçâmedes (CFM) e de Benguela (CFB), motivado pela crise financeira internacional que afectou fortemente Angola.

Portanto, salientou o director, não existe qualquer reserva exclusiva para as empresas estatais, está-se sim é a dar oportunidades a todos os que estejam dispostos a intervir na actividade ferroviária, controlada pelo INCFA, que também está encarregue de certificar os equipamentos em uso e licenciar as operadoras.

“As empresas ferroviárias do país são débeis. Estão com grandes défices, visto tratar-se de um sector que sofreu muito profundamente com a guerra que assolou o país durante cerca de 30 anos, daí a necessidade de se cooperar com outras operadoras e incentivar a concorrência no mercado”, acrescentou afirmou.

O director do recém-criado Instituto Nacional dos Caminhos-de-ferro de Angola admitiu que ao serem licenciadas para a actividade, as operadoras interessados poderão funcionar nas rotas que lhes convier, transportando minerais, produtos do campo ou passageiros.

O sector, prosseguiu, “ficou totalmente destruído, não produz, tem equipamentos extremamente obsoletos, e então, sendo importante para o desenvolvimento do país e por ser a espinha dorsal para o crescimento económico, o Estado está a subvencionar as suas empresas enquanto estiverem a se reestruturar”.

Segundo o gestor, as empresas serão subvencionadas nesse período de transição de Unidade Económica Estatal (UEE) para Empresa Pública (EP), e enquanto decorre o processo de modernização das mesmas, que passa também pela restauração das infra-estruturas ferroviárias.

“O Estado subvenciona as empresas públicas para a construção de estações e aquisição de material circulante, daí a necessidade de se começar já a pensar em novas locomotivas, carruagens e vagões de vários tipos, com realce para as cisternas e plataformas para transporte de produtos em contentores”, reiterou Júlio Bango.

Os comentários estão encerrados.