A Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas (ANTP) deverá recusar, amanhã, a proposta de acordo do Governo. Porque o “sector precisa de algo para agora”, insiste o presidente, Márcio Lopes.

Representantes da ANTP e do Governo reuniram no sábado e voltarão a encontrar-se amanhã de manhã, terça-feira. Mas de pouco, ou nada, deverá servir. “Nós vamos negar a proposta negocial do Governo novamente. À partida vamos reunir amanhã (terça-feira), porque já estava marcado desde a semana passada, e depois logo vemos qual a opinião do Governo”, adiantou o dirigente, em declarações à “Lusa”.

O sector “precisa de algo para agora, algo urgente, e aquilo que estão a propor é negociação e nada em concreto até ao final do ano”, explicou. E “até ao final do ano é impossível porque o sector tem muitas situações que não
consegue ter maneira de aguentar até ao final do ano”, garantiu.

Márcio Lopes reafirmou que a ANTP quer “debater o sector dos transportes, que não está com legislação e regulamentação apropriadas à actualidade”, referindo que a ampliação do limiar do gasóleo profissional [acordado entre o Governo e a ANTRAM] é apenas uma das 18 questões do caderno reivindicativo, que inclui ainda 30 dias de pagamento obrigatório e a indexação do preço de combustível à factura.

“Queremos que o Governo coloque 90% daquele caderno em prática, com urgência, porque no sector as empresas micro, médias e pequenas, que trabalham somente no sector dos transportes, neste momento, é pouco aquilo que conseguem manter as empresas a trabalhar, ou nada. Acho que existem muitas que estão a perder dinheiro”, disse.

Nos 18 pontos do caderno reivindicativo estão ainda as exigências de uma secretaria de Estado dedicada exclusivamente aos transportes, a criação de um mecanismo para que a inflação também seja reflectida no sector dos transportes, que o preço dos combustíveis seja indexado ao preço dos transportes, isto é, reflectido no custo dos serviços, melhores condições de trabalho para os motoristas e descontos nas portagens.

A 28 de Maio, os camionistas associados da ANTP lançaram uma acção de protesto que previa a paralisação da circulação e marchas lentas. No entanto, a adesão foi reduzida, como reconheceu o próprio Márcio Lopes.

Ainda assim, foi o suficiente para relançar as negociações entre o Governo, a ANTP e a ANTRAM.

Na semana passada, a ANTRAM e o Executivo assinaram um acordo com medidas imediatas de subida do limiar do gasóleo profissional dos 30 mil para os 35 mil litros e de aumento da fiscalização ao sector.

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