A ANTRAM nega qualquer entendimento com o Governo sobre a quarentena dos motoristas, mas defende a decisão, assim como a agilização dos tempos de condução e repouso.

“A ANTRAM não tem, nem teve, qualquer interferência nas decisões da Direcção Geral de Saúde (DGS), autoridade com a qual, de resto, nunca manteve qualquer contacto. A ANTRAM não chegou, igualmente, a qualquer entendimento com o Governo sobre sujeição, ou não, dos motoristas a quarentena”, sustenta, em comunicado, a associação dos transportadores rodoviários de mercadorias.

Todavia, realça, a não sujeição dos motoristas do transporte internacional ao período de quarentena, já criticada por sindicatos, “coincide, na íntegra, com o entendimento dos demais países europeus e com a própria Comissão Europeia perante a situação excepcional que todos vivemos”.

Sobre a protecção dos motoristas, a associação garante que tem “mantido contactos com o Governo no sentido de os motoristas serem mais protegidos e serem contemplados com a atribuição de equipamentos de protecção” e que o Executivo tem demonstrado “preocupação e interesse, embora limitado pela escassez de máscaras e luvas”.

Também as alterações às regras dos tempos de condução e repouso dos motoristas – igualmente alvo de críticas pelos sindicatos – são defendidas pela ANTRAM, como tratando-se de “uma situação que, para além de temporária, visa agilizar o pouco transporte que ainda é realizado”. A associação sublinha que tais medidas estão a ser aplicadas por outros estados-membros da UE, em alguns casos “há já mais de 15 dias”, e que, por cá “existiu, aliás, o cuidado por parte de quem nos governa, de manter os limites máximos de trabalho semanal e mínimos de repouso diário. Em
outros países da Europa, a suspensão de regras sobre tempos de condução e repouso foi muito mais ampla”.

Em resposta às críticas de incumprimento do CCTV, a associação dos transportadores garante que “nem as autoridades nem as empresas associadas da ANTRAM pretendem receber dos seus motoristas mais trabalho do que aquele que é devido pelos trabalhadores”. E acrescenta: “A ANTRAM e suas associadas estão essencialmente focadas em manter os postos de trabalho nesta altura que é também muito delicada para as empresas”.

Por isso, remata, “Aos sindicatos e aos trabalhadores, pedimos que se foquem no verdadeiro problema e no que ele representa: um vírus que coloca em causa a sobrevivência das pessoas, das empresas e dos postos de trabalho.
Aos cidadãos e indústria, deixamos um pedido de respeito pelo nosso sector e pelos motoristas que, sabemos todos, desempenham um papel muito importante neste momento”.

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