Porque há camiões a mais e cargas a menos, a ANTRAM reclama do Governo incentivos à redução (e modernização) das frotas.

Intervindo na webconference promovida pelo IMT sobre o impacto da Covid-19 no transporte de mercadorias e na micrologística urbana, Pedro Polónio, presidente da ANTRAM, falou num “cenário dantesco” para descrever a situação do sector de transporte rodoviário de mercadorias em Portugal e alertou para que a situação tenderá a piorar a partir de Setembro, quando as fábricas esgotarem as encomendas que tinham em carteira de antes da pandemia.

Pedro Polónio sublinhou que a quebra de tráfego rodoviário de mercadorias de 29% (referida pelo presidente da Infrestruturas de Portugal, que também participou no evento) é dramática para um universo de empresas que “vive” com “margens de 2-3% e margens EBITDA de menos de 10%”. O empresário e dirigente associativo referiu ainda o sentimento negativo que marcou a recente conferência da IRU e destacou as últimas previsões do Banco de Portugal, que apontam para que serão necessários dois anos para recuperar o que se irá perder em 2020, em termos de PIB e de importações (também de exportações, mas essas são alavancadas pelo turismo, lembrou).

E, assim, o problema não é já fazer quilómetros em vazio, mas sim realizar viagens inteiras (de retorno) em vazio. E, por isso, mais do que falar de digitalização, o presidente da ANTRAM prefere discutir formas de pagar os salários e o gasóleo.

Neste contexto, a associação reclama incentivos à redução das frotas, como em Espanha, que considera serem enquadráveis nos apoios ao relançamento da economia definidos pela Comissão Europeia, e que já foram implementados na sequência da crise de 2008.

Pedro Polónio defendeu a conjugação da redução da frota com a sua modernização, num esquema em que os camiões mais velhos sejam substituídos por um menor número de veículos novos.

O dirigente sublinhou, porém, a necessidade de ser criterioso nos apoios, lembrando que 10% das empresas do sector têm capitais próprios negativos, e que não é atirando dinheiro para cima dos problemas que eles se resolvem.

Para apoiar o relançamento da actividade, o presidente da ANTRAM retomou a proposta de incentivos à transferência das cargas dos transportadores particulares para os transportadores profissionais. Sugeriu, a propósito, a majoração dos custos suportados pelas empresas com a compra de serviços de transporte.

A terminar, Pedro Polónio lembrou ainda a próxima aprovação do Pacote da Mobilidade e alertou para a concorrência desleal protagonizada por empresas do Leste, com a complacência das autoridades nacionais que preferem controlar os camiões com matrícula portuguesa.

 

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