A Antram está contra a proposta de revisão da Directiva do Destacamento. Pedro Polónio, vice-presidente da associação portuguesa,  disse-o ontem, numa audição na sessão plenária do Parlamento.

Motoristas em descanso

Para a Antram, a aprovação da “nova” Directiva nos termos em que é proposta pelo Executivo comunitário “poderá conduzir ao caos no sector do transporte europeu.”

Pedro Polónio sublinhou que “a Directiva abrange a deslocação de um trabalhador de um país para outro, não podendo a norma [do destacamento] ser utilizada para regular a actividade de um motorista internacional, que atravessa, todos os dias, inúmeros países”.

O dirigente associativo, citado pela assessoria de imprensa da Antram, destacou ainda a “falta de racionalidade na aplicação [da Directiva] a países periféricos, como é o caso de Portugal, cujos motoristas têm de atravessar mais do que um país para chegar ao destino final”. “Os nossos motoristas fazem, no âmbito do seu trabalho, deslocações em que são obrigados a passar pelos países, no entanto, é no seu país – onde está a sua a família e para onde têm de voltar – que vivem”, concluiu.

… e proibição de descanso nas cabines

Durante a sessão no Parlamento Europeu, o vice-presidente da Antram rejeitou igualmente a proposta de alteração do Regulamento 561/2006, na parte em que se proíbe o descanso semanal regular do motorista a bordo da cabina.

Pedro Polónio sustentou que a cabina do camião é a “segunda casa” dos motoristas e lembrou que a maior parte dos parques de estacionamento europeus não possuem infra-estruturas que permitam aos motoristas dormir fora do camião.

O dirigente associativo lembrou aos parlamentares que “Portugal transporta 21 mil toneladas de mercadoria por quilómetro e, desse valor, 65% refere-se ao transporte internacional”. E acrescentou: “Portugal representa 3,4% do sector a nível europeu, um valor superior ao registado, por exemplo, por França”.

 

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