A frota é importante mas não é o mais importante. O importante é a qualidade do serviço, que não é necessariamente garantida por autocarros novos, defende o reeleito presidente da Antrop, Luís Cabaço Martins.

Rodoviária de Lisboa

Durante anos, a reivindicação de apoios à renovação das frotas foi  uma das bandeiras dos transportadores e respectiva associação. Agora, nem tanto. “O importante é ter um bom serviço, em termos de frequência, regularidade, segurança, conforto e preço”, sintetiza Cabaço Martins.

Para isso, o dispor de autocarros novos é uma ajuda, mas não é decisivo. “Há por essa Europa fora excelentes redes de transportes públicos operadas com veículos com mais anos mas em boas condições”, garante. Por isso, insiste, “a prioridade não é renovar autocarros, mas melhorar o serviço”.

Ainda assim, o líder da Antrop saúda o recente programa de apoio à compra de autocarros alimentados a energias alternativas lançado pelo Governo. Mesmo se do ponto de vista financeiro não era particulamente atractivo: “o subsídio, interessante, de até 85% só se aplicava ao sobrecusto face ao autocarro a diesel”. “Foi o possível Percebemos”.

Alguns associados da Antrop candidataram-se aos apoios. Mas “a maioria das empresas não liberta recursos para investir na frota”.

Por causa da falta de capacidade de investimento das operadoras, e porque a idade dos veículos não é tudo, Luís Cabaço Martins avisa contra a tentação de fixar idades máximas baixas para a prestação de serviços, para além do que já é imposto, por exemplo, no transporte colectivo de crianças (TCC).

Municipalizção da Carris e STCP

Importante mesmo é, então, “melhorar as condições de vida das empresas”. E para tal, a “municipalização” da gestão da Carris e da STCP pode até dar uma ajuda.

O facto de as autarquias, que são as novas autoridades de transportes, passarem a gerir os operadores públicos de referência em Lisboa e Porto não é visto como um  problema pelo presidente da Antrop. Pelo contrário, diz, “pode acontecer que, assim, percebam melhor as dificuldades dos operadores de transportes públicos”.

“Se calhar – acrescenta – vão perceber melhor que não fazem sentido  as sobreposições de percursos, os desperdícios de meios que se verificam, por exemplo, em algumas zonas da Área Metropolitana do Porto”.

 

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