A actualização de 0,38% das tarifas “põe em causa a prestação do serviço público de transportes”, alerta o presidente da ANTROP, que reclama uma subida de 3,96%.
“Discordamos, porque não corresponde àquilo que é a variação dos custos ocorridos durante este ano e, portanto, fica muito aquém do que poderia ser essa actualização”, realçou Luís Cabaço Martins, em declarações à “Lusa” que reivindica um acréscimo de 3,96%.
Cabaço Martins explicou que as autoridades de transportes “acabaram por considerar apenas o valor da inflação que se verificou, esquecendo que as empresas de transporte tiveram um incremento de custos de exploração muito
superior a 0,38%”.
Segundo as contas da ANTROP, “entre custos com pessoal e combustíveis, em que o primeiro representa cerca de 50% dos custos operacionais e o segundo perto de 30%, houve “um incremento de cerca de 4%, em média. São situações que não podemos acomodar com uma actualização de 0,38%, daí o nosso desacordo”, realçou Cabaço
Martins.
“Essa actualização insuficiente põe em causa a prestação do serviço público de transportes”, garantiu o presidente da associação.
Face a esta situação, a ANTROP enviou um email às autoridades de transportes, em que deu conta dos seus argumentos, pedindo uma actualização de 3,96%.
“A não aprovação da taxa diferenciada afectaria gravemente as condições financeiras inerentes à operação do serviço público de transporte de passageiros e conduziria a que possam não estar asseguradas as condições mínimas desustentabilidade essenciais para a prestação diária daquele serviço às populações por parte dos associados da ANTROP”, lê-se nessa missiva, enviada à “Lusa”.
Cabaço Martins reconheceu, no entanto, “que não é justo que a população seja prejudicada com o aumento significativo das tarifas” e apontou uma solução. “As autoridades de transporte podem perfeitamente acomodar essa variação, transferindo essa percentagem para os operadores. Não é preciso serem os passageiros a pagar. Mas que alguém tem que pagar, tem, sob pena de as empresas de transporte terem que rever aquilo que é a sua oferta junto das populações. Penso que ninguém quer isso”, defendeu.
O presidente da entidade acredita que, caso não haja mudanças, as populações serão confrontadas “com uma redução significativa do serviço e haverá até serviços que vão deixar de ser feitos”.
Para Cabaço Martins, um aumento de 3,96% é o mínimo, porque “representa efectivamente a variação dos custos para as empresas de transporte”, sendo que, se as autoridades não concordarem e entenderem que “os passageiros não devem suportar essa variação”, devem assegurar o diferencial entre a actualização anunciada, de 0,38% e o valor que a ANTROP propõe.
A associação está agora à espera de resposta “a curto prazo”, de acordo com Cabaço Martins. “Precisamos de saber qual é a nossa situação a partir do dia 1 de Janeiro de 2020”, referiu.
“O que não podemos aceitar é que por uma medida precipitada se ponham em causa as empresas de transporte e o serviço de transporte de transporte público a todas as populações do país”, lamentou o presidente da ANTROP.