Para a APAT, o balanço da legislatura é positivo, mas há ainda caminho a percorrer. Até para se alcançarem os objectivos fixados pelo Executivo para 2026 e 2030, afirma o presidente executivo da associação dos transitários.

O Ministério do Mar, de Ana Paula Vitorino, disponibilizou há dias, no seu site na Internet, o balanço do trabalho realizado ao longo da Legislatura.

O TRANSPORTES & NEGÓCIOS convidou dirigentes de associações empresariais representativas do sector a tecerem um comentário ao balanço feito pela ministra, ou em alternativa a fazerem o seu próprio balanço dos últimos quatro anos de governação e dos resultados alcançados.

António Nabo Martins, presidente executivo da APAT, foi o primeiro a prestar o seu depoimento. Assim:

“O balanço que a APAT faz à legislatura, nomeadamente à do Ministério do Mar, é positivo. A carga contentorizada continua a aumentar e se não foram criadas novas infra-estruturas, é porque havia condições de crescimento exponencial pouco exploradas. Se isto é verdade, também é verdade que o crescimento do volume de carga não poderá continuar a crescer indefinidamente sem investimentos. Por isso mesmo, a APAT congratula os investimentos anunciados para a generalidade dos portos portugueses, acreditando que teremos uma fachada atlântica mais eficiente, mais eficaz e mais competente para competir com outros portos europeus. Desta forma, será igualmente possível dinamizar ainda mais a economia, os transportes, a logística e os serviços.

“Reiteramos: o balanço é positivo, mas não podemos desistir de continuar a trabalhar em prol da nossa economia e do nosso país, até porque ainda estamos muito longe de alcançar o anunciado até 2026: aumentar 200% o movimento de contentores, diminuir em 20% o tráfego rodoviário de e para os portos, aumentar o tráfego fluvial de mercadorias, já para não falar dos propalados 12 mil postos de trabalho até 2030. Note-se que o movimento de carga nos portos do continente foi de cerca de 37,6 milhões de toneladas, entre Janeiro e Maio de 2019, menos 2,2% do que no período homólogo de 2018 de acordo com a AMT, o que confirma que há caminho a percorrer.

“A previsão da implementação da Janela Única Logística (JUL) em todos os portos até ao fim do ano e a regulamentação do porto seco através de legislação própria, poderão igualmente dinamizar a chamada “Logística de serviços”.

“No entanto, a economia do mar, focada no aspecto do transporte de mercadorias (exportações e importações), não deverá continuar a crescer enquanto não se concretizarem investimentos nos equipamentos, nas infra-estruturas, nas acessibilidades e na convergência dos interesses de todos players que intervêm no negócio. Esta sustentabilidade tem de ser conseguida em três aspectos: financeiro, social e ambiental.

“Trabalhar hoje para termos futuro, não se compadece com anos e calendários eleitorais, mas sim com políticas de convergência e pactos de regime que permitam uma unanimidade política sobre a importância das decisões estratégicas.

“O nosso futuro dependerá muito daquilo que fizermos hoje, ou seja a melhor forma de fazer futuro é criá-lo. As mais recentes notícias dão conta de algum mau estar social e ambiental em alguns portos e por isso mesmo, uma vez mais, a APAT coloca-se à disposição de todas as entidades para colaborar, ajudar, mediar, intervindo, criando espaços de debate para todos os assuntos transversalmente, de forma transparente.”

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