A melhoria das acessibilidades marítimas aos estaleiros de Viana do Castelo, desejada pela West Sea, é um “grande investimento” que só poderá avançar com o envolvimento directo do Governo, avisa a administração portuária.

Crise nos Estaleiros de Viana

“Uma intervenção nos fundos do ante porto daqueles estaleiros exigirá um grande investimento, que terá que ser sustentado por uma decisão ao nível central”, afirmou à “Lusa” Vasco Cameira, da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL).

O mesmo responsável adiantou que qualquer intervenção na bacia de acesso aos estaleiros da subconcessionária dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) implicará a realização “de estudos de impacto ambiental e de sustentabilidade económica”.

Vasco Cameira, que falava à margem da cerimónia de lançamento da primeira pedra dos novos armazéns de aprestos para os pescadores de Viana do Castelo, explicou que “não se trata de um problema de deposição de inertes”, mas “de fundos rochosos” existentes naquela zona.

Em causa estão as dificuldades de acessibilidade denunciadas a semana passada pelo presidente da West Sea durante a cerimónia que assinalou um ano desde que a empresa do grupo Martifer assumiu a subconcessão dos terrenos e infra-estruturas dos ENVC.

“A acessibilidade deste estaleiro está hoje restringida a navios com calado de 5,5 metros. A viabilidade económica dos estaleiros passa por permitir a entrada de navios com calado de 8,5 metros. Já perdemos negócio, quer ao nível da reparação, quer da construção naval por esta dificuldade”, afirmou então Carlos Martins.

O presidente da West Sea disse ainda estar a trabalhar, “junto das entidades competentes no sentido de encontrar uma solução” para resolver aquele problema.

Já Vasco Cameira lembrou que aquelas condições “existem desde o início da actividade dos ENVC”, permitindo o acesso apenas a navios com 5 a 5,5 metros de calado, e na maré cheia.

O responsável da APDL adiantou que a existir uma intervenção de “aprofundamento da bacia”, à entrada dos estaleiros navais, “terão que ser realizados estudos de engenharia para a reconfiguração dos muros/cais, e das entradas das docas secas”.

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