O novo terminal de contentores no Barreiro só avançará com privados. E haverá seis interessados, entre os quais a Maersk e a Fosun, garantiu a presidente da Administração do Porto de Lisboa, ontem à noite no Barreiro e hoje de manhã em Lisboa.

“Tenho conhecimento de seis grupos económicos fortemente interessados em construir e operar este terminal no Barreiro. Este é um projecto que tem de avançar de forma sólida, mas sem recuos, pois podemos perder dinheiro de fundos da União Europeia se tal acontecer”, disse Marina Ferreira.

A presidente da APL participou no colóquio “Terminal de Contentores no Barreiro: uma oportunidade?”, organizado pelo movimento “Dar Futuro ao Barreiro”, encabeçado por Bruno Vitorino, deputado do PSD e vereador na Câmara do Barreiro.

“Este terminal só será construído com investimento privado. Se não houver empresas privadas interessadas no investimento, a orientação que tenho do Governo é que não há novo terminal”, explicou.

A presidente da APL disse ainda que a ideia de um novo terminal surgiu da necessidade de aumentar a capacidade portuária, referindo que em 2019 a actual estará esgotada.

“Foram os operadores económicos nacionais e internacionais que solicitaram este novo terminal. Perdemos todos os dias cargas para portos de Espanha, como por exemplo para Valência”, disse, considerando a situação “preocupante”.

Sobre a hipótese do terminal se localizar no Barreiro, a responsável explicou que foram analisados outros locais, mas que os estudos mostram que o Barreiro é a melhor solução.

“Nos critérios qualitativos, quantitativos e de impacto económico o Barreiro está na frente”, disse, referindo que em relação à contaminação no rio no local existe uma declaração da Agência Portuguesa de Ambiente que são de nível 1 e 2, ou seja, não são resíduos considerados perigosos.

Sobre a questão da manutenção de um novo terminal no Barreiro, Marina Ferreira afirmou que os custos com as dragagens devem ser na ordem de um milhão de euros.

“O canal do Barreiro é bem conhecido por nós e é dragado pelas empresas Atlanpor e Tanquipor. Em fase de manutenção, as dragagens do novo terminal devem rondar o milhão de euros”, defendeu, explicando que as dragagens iniciais na fase de obra estarão a cargo dos investidores.

Já hoje, à margem da assinatura de um protocolo para a promoção do novo terminal de contentores do Barreiro, Marina Ferreira afirmou que à medida que há mais informação sobre o projecto “cada vez mais temos tido investidores interessados, temos tido revistas de investimento estrangeiro interessadas em fazer divulgação, temos tido países interessados em divulgar junto dos seus investidores”.

Sobre a identidade dos interessados, a presidente da APL apenas disse que haverá mais além da Maersk e da Fosun.

Na véspera da conferência da Comunidade do Porto de Setúbal em que o tema forte será as vantagens competitivas do porto sadino face ao Barreiro, a Câmara Municipal do Barreiro, a Estradas de Portugal, a Refer e a Baía do Tejo assinaram um protocolo de cooperação para o projecto de construção do terminal de contentores e da área logística, industrial e tecnológica anexa.

Os comentários estão encerrados.