A incapacidade em apoiar a indústria naval alemã é a motivação por detrás da pressão do ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, sobre o governo da Grécia para taxar o transporte marítimo no país, acusam os armadores gregos.

Grécia

Schäuble reconheceu na semana passada que a Grécia fez progressos económicos, mas afirmou que a liderança política do país “insiste em colocar o peso sobre os fracos” e culpou o primeiro-ministro Alexis Tsipras de “não ter tributado os poderosos armadores da Grécia como prometeu”.

Em comunicado, os armadores gregos reagiram com dureza às declarações de Schäuble.

“Atrás da afirmação reside o facto de que grande parte da frota que a Alemanha estava a tentar ‘construir’ foi comprada pelos armadores gregos […] Mesmo assim, apesar de a Alemanha ter criado o melhor quadro fiscal na Europa para o transporte marítimo”, referiram os armadores gregos, citados pela comunicação social do país.

“Parece que o Sr. Schäuble optou por ignorar o regime particularmente favorável de que goza o transporte marítimo alemão, enquanto ataca o regime do transporte marítimo grego, o qual equivale a 50% do transporte marítimo da UE, uma conquista que parece causar incómodo”, acusou o presidente da Associação dos Armadores Gregos, Theodore Veniamis.

“A questão que também se coloca é se, apesar dos cenários favoráveis ​​em todos os níveis (propriedade do navio, gestão de embarcações, etc.), a incapacidade da política marítima alemã de apoiar com sucesso o seu transporte é a motivação da posição do ministro”, vincou Veniamis.

O mesmo responsável acrescentou que se o objectivo das afirmações de Wolfgang Schäuble é minar os laços íntimos da navegação grega com a sua pátria, então “demonstra que ele não quer, afinal, ver a Grécia no caminho do crescimento”.

O ministro grego da Política de Navegação e Ilhas, Panagiotis Kourouplis, também reagiu, dizendo que o ministro das Finanças alemão está numa posição incómoda devido ao desempenho da Grécia. “Ele procura razões para colocar mais carga sobre a Grécia e agora lembrou-se da história de tributação dos proprietários dos navios”, observou Kourouplis.

Referindo-se ao acordo com os credores, o ministro grego disse que Atenas comprometeu-se em garantir 420 milhões de euros de impostos sobre os armadores e conseguiu obter 550 milhões de euros.

 

 

 

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