Arriva e Transdev criticam um eventual prolongamento da concessão do “Comboio da Ponte” entre o Estado e a Fertagus sem concurso público.

José Pires da Fonseca, director-geral do Grupo Arriva, e Rui Silva, administrador da Transdev Portugal, manifestaram-se contrários à possibilidade de o “Comboio da Ponte” (a ligação entre Lisboa e Setúbal pela Ponte 25 de Abril) continuar a ser explorado pela Fertagus (Grupo Barraqueiro) sem a realização de um novo concurso público. Foi no Seminário de Transporte Ferroviário do TRANSPORTES & NEGÓCIOS, no painel dedicado à liberalização do transporte ferroviário de passageiros.

Pires da Fonseca questionou mesmo o interesse para o Estado em concessionar o serviço sem que o concessionário tenha assumido o investimento no material circulante (as composições operadas pela Fertagus são alugadas à CP). Cáustico, o agora director-geral da Arriva em Portugal, sustentou que a gestão da operação poderia ser facilmente assegurada por um director da CP, pela sua dimensão face à oferta da operadora pública na área metropolitana de Lisboa.

Já Rui Silva sublinhou o que disse ser  a contradição entre o discurso a favor da liberalização do transporte ferroviário de passageiros e as aparentes negociações para prolongar a concessão da Fertagus sem o lançamento de um novo concurso público. “[o lançamento do concurso]Seria um bom sinal da vontade de avançar”, referiu.

A propósito, João Carvalho, presidente da Autoridade da Mobilidade e Transportes (AMT) lembrou que o lançamento do novo concurso não é obrigatório.

Ambos os gestores dos grupos privados assumiram o interesse em participar na exploração de serviços ferroviários de transporte de passageiros em Portugal. E ambos garantiram que não haverá falta de dinheiro para investir, assim as oportunidades de investimento se concretizem e sejam sustentáveis.

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