Enquanto por cá se assistia ao lançamento do mais recente título da saga de Astérix, na Gália, os irredutíveis bretões, descendentes do herói criado por Uderzo e Gosciny, forçaram o governo de Paris a adiar sine diae a cobrança da ecotaxa rodoviária sobre os pesados de mercadorias.

Trata-se, sem dúvida, de uma boa notícia para os transportadores rodoviários, os franceses e os outros, nomeadamente os portugueses que têm de cruzar as estradas gaulesas.

Retenho, no entanto, e sobretudo, a razão invocada pelos bretões, e que terá tido vencimento no braço-de-ferro com as autoridades de Paris: a Bretanha é uma região excêntrica de França e a ecotaxa (ainda que reduzida) penalizaria sobretudo os transportadores locais, obrigados a percorrerem mais quilómetros e, logo, a suportarem mais sobrecustos.

É de esperar agora que os transportadores lusitanos, e com eles o Governo de Lisboa, saibam seguir o exemplo e consigam alertar os decisores da União Europeia para os perigos que decorrem de alguns ditames de Bruxelas para um país periférico como Portugal. Certamente poderão contar com o apoio dos gauleses e, será?, com a simpatia das autoridades de Lutécia.

FERNANDO GONÇALVES

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