Receando não receber os oito milhões de euros que os ENVC que ainda lhe devem e que estarão garantidos pela penhora do Atlântida, a Atlânticoline requereu ao Tribunal de Execução de Lisboa a anulação do anunciado concurso de venda do navio e a sua liquidação imediata.

“Tendo a Atlânticoline a penhora do navio Atlântida e, obviamente, contando com a receita da sua venda para ser ressarcida dos valores que os Estaleiros de Viana do Castelo não liquidaram ao abrigo do acordo estabelecido, avançámos para esta opção”, referiu o presidente da empresa açoriana à “Lusa”.

O caderno de encargos do concurso público internacional para a venda do Atlântida terá como único critério a melhor proposta financeira. Não haverá um preço-base, mas os ENVC reservam-se o direito de não vender. Uma salvaguarda que parece não tranquilizar a Atlânticoline.

“Começaram por ser 29 milhões de euros, que era o quanto valeria, tendo, posteriormente, o concurso público sido lançado por 20 milhões, surgindo agora as últimas notícias que indicam que não haverá referencial de preço”, disse Carlos Reis.

“Começámos a perceber que corríamos efectivamente o risco de a venda do navio não proporcionar uma receita que permitisse a nossa compensação. Daí termos avançado com uma providência em que pedimos ao tribunal a sua venda directa”, explicou.

O presidente da transportadora marítima açoriana declarou que o valor de oito milhões de euros que a Atlânticoline pretende receber corresponde à última parcela do acordo firmado com os ENVC e consequentes juros. Carlos Reis recordou que o acordo firmado com os estaleiros foi celebrado a 23 de Dezembro de 2009 e que o valor total a pagar pelos ENVC era de 40 milhões de euros, estando em falta os oito milhões.

Construído pelos ENVC para operar nos Açores, o navio acabou por ser recusado pela transportadora pública da região por não cumprir a velocidade contratada.

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