As alterações ao Regulamento que Fixa os Pesos e as Dimensões Máximos Autorizados para os Veículos em Circulação não agradam aos transportes de terras, inertes, madeiras e afins, que falam em concorrência desleal e alertam para os riscos para os próprios transportadores.

A partir de agora está autorizada a circulação em Portugal de camiões com um peso bruto máximo de 60 toneladas, nos casos em que transportem cargas de papel, pasta de papel ou produtos cerâmicos, tendo como origem ou destino os portos nacionais.

A alteração à lei, agora publicada em Diário da República, é justificada pelo Governo com a necessidade de incentivar o comércio externo e a sustentabillidade do sistema de transportes, com a redução dos custos, dos consumos e das emissões poluentes.

O Executivo lembra a propósito que idêntico procedimento já foi autorizado para o transporte de material lenhoso.

A medida, porém, não agrada a todos. Em comunicado, a ATTIMA diz que a nova legislação é uma “prenda envenenada” para os transportadores, uma vez que “no final acabarão por cobrar o mesmo valor do frete com mais 20 toneladas”. E sustenta que apenas interessa “às grandes indústrias com significativas reduções de custos”.

A associação dos transportadores de terras, inertes e madeiras acusa o Governo de fazer tábua rasa do trabalho desenvolvido com o IMTT (ainda sob a presidência de Crisóstomo Teixeira), e de promover uma “confusão legislativa”.

Além do que critica a discriminação de que diz serem alvo os seus associados, não abrangidos pelas novas regras, e que por isso continuarão a suportar encargos operacionais superiores.

No comunicado, a ATTIMA diz ainda estranhar o silêncio dos sindicatos dos motoristas perante a iminência de uma vaga de despedimentos, em resultado de ser possível transportar mais cargas com os mesmos meios.

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