A entrega de novos navios e a reactivação de outros estão a aumentar a frota de porta-contentores e a ameaçar o esforço dos operadores para restaurarem o nível dos fretes, alerta a Alphaliner.

Em Abril, a frota mundial de navios porta-contentores em actividade chegou aos 15 milhões de TEU, o valor mais alto desde Agosto do ano passado, quando se atingiu um máximo histórico.

Desde o início do ano, os estaleiros entregaram 62 porta-contentores (23 com mais de +10 000 TEU), com uma capacidade total de 455 mil TEU. Desde meados de Março, a frota inactiva caiu de 913 mil para 723 mil TEU e a tendência deverá manter-se nos próximos meses, com a recolocação em serviços dos navios de +5 000 TEU.

Ao longo de todo o ano, a Alphaliner prevê a entrada no mercado de 1 388 000 TEU, valor que compara com o esperado desmantelamento de navios equivalentes a 200 000 TEU (até agora foram 95, num total de 93 500 TEU).

A redução da oferta de capacidade foi uma das principais “armas” dos operadores para forçarem o aumento dos fretes. Mas a entrada no mercado de mais navios voltará a pressionar os preços e a degradar as taxas de utilização da capacidade, numa espiral que deverá afectar, de novo, os resultados dos operadores.

Para mais, sublinha a Alphaliner, os aumentos de fretes foram (ou já o tinham sido) em boa parte “comidos” pela subida da cotação do combustível.

A situação poderá agravar-se também em função do efeito “cascata”. A entrada de navios gigantes nas linhas do FE-Europa empurra os maiores de antigamente para outras linhas (África, América Latina e América do Norte). E do mesmo modo a redução da oferta no FE-Europa atirou esses navios para aqueles outros tráfegos. O que pressionará, também aí, os fretes no sentido da baixa.

Em consequência, a Alphaliner antecipa que os resultados das companhias no primeiro trimestre continuarão muito fracos (leia-se, no vermelho).

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