A decisão do Governo de suspender a ligação AV Lisboa-Poceirão, incluindo a TTT, permitirá poupar até 700 milhões de euros de fundos comunitários. A questão está em saber se não serão perdidos.

Até concluir pela impossibilidade de avançar agora com o projecto, o Executivo de José Sócrates apostou em concentrar na PPP Lisboa-Poceirão os fundos disponibilizados por Bruxelas para as ligações Lisboa-Porto e Porto-Vigo. Com isso tentando reduzir ao mínimo o envolvimento do Estado no projecto.

Agora, sem o Lisboa-Poceirão nem a TTT esses dinheiros ficam disponíveis, pelo menos em teoria. Resta saber se Portugal terá condições de negociar com a Europa a afectação dessas verbas a outros projectos (muito se tem falado do Metro do Porto) ou, em alternativa, a cativação dos dinheiros para quando for possível realizar as obras da Alta Velocidade.

A decisão do Governo de “meter na gaveta” a AV Lisboa-Poceirão dividiu as opiniões dos partidos, com a Direita a saudá-la e a Esquerda a criticá-la. O PS, pela voz de Ana Paula Vitorino, ex-secretária de Estado dos Transportes, considerou-a de “bom senso”

A medida poderá custar até 200 milhões de euros em indemnizações aos consórcios concorrentes, de acordo com as últimas projecções.

Dúvidas subsistem também sobre a PPP Poceirão-Caia, que ainda aguarda o visto prévio do Tribunal de Contas. A hipótese de deixar cair também este projecto volta a ser falada, agora também por causa da falta de ligação a Lisboa.

Todavia, ainda há pouco tempo os responsáveis do consórcio Elos (Soares da Costa-Brisa), vencedores da concessão mostraram-se disponíveis para prolongar o traçado por mais uma dezena de quilómetros, até à zona do Pinhal Novo, para permitir a ligação à ponte 25 de Abril.

E há mais tempo ainda já o administrador da Rave Carlos Fernandes dava como certa a necessidade de uma solução de recurso para garantir a entrada dos comboios em Lisboa enquanto a TTT não estivesse concluída.

A solução, já sabe, passa por instalar um intercambiador no Poceirão e utilizar comboios bibitola, ou em alternativa fazer a transferência dos passageiros. O tempo de ligação a Madrid será, claro, penalizado.

Em qualquer dos casos, a AV Lisboa-Madrid, ou Poceirão-Madrid, não se esgota nos concursos referidos. Ainda faltará concursar a sinalização e as comunicações (o projecto inicial apontava uma PPP para a toda a rede) e, claro, os comboios (idem).

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