José Sócrates e António Mendonça terão tentado, até à última hora, lançar novo concurso para a AV Lisboa-Poceirão, incluindo a TTT, mas acabaram por desistir, face às dificuldades do País e à oposição dentro do próprio Executivo, avança o “DE”.

O Governo teria pronta, com a Rave, uma nova versão do concurso substancialmente mais barata que a primeira, uma vez que abandonava a componente rodoviária da TTT, os respectivos acessos rodoviários nas duas margens e ainda a ligação rodoviária ao Novo Aeroporto.

Debalde. O prazo para avançar com o novo concurso passou e a decisão que prevaleceu foi a de deixar cair o processo.

Agora os juristas das Finanças e das Obras Públicas procuram uma saída para o Estado não ter de pagar indemnizações aos consórcios que concorreram à PPP. A Tave Teja, consórcio liderado pela FCC, já terá pedido dez milhões de euros, só pelos custos em que incorreu na preparação da candidatura. Mas os números deverão multiplicar-se até porque o consórcio tinha a proposta melhor classificada pelo júri pelo que era o “virtual” vencedor da concessão. Também o consórcio liderado pela Mota-Engil deverá exigir ser ressarcido dos custos sofridos.

Sem a nova ponte sobre o Tejo, a Alta Velocidade Lisboa-Madrid só poderá chegar à capital pela Ponte 25 de Abril, recorrendo a um de dois expedientes: ou a utilização de comboios de bibitola, ou a criação de um transbordo no Poceirão.

Em qualquer dos casos, mais num do que noutro, o tempo de viagem será penalizado, reduzindo a capacidade de concorrência do comboio face ao avião nas ligações entre as duas capitais ibéricas.

Isto assumindo, claro, que a construção do Poceirão-Caia também não descarrilará. O que passa, em primeira instância, pelo Tribunal de Contas, que ainda não deu o visto prévio ao contrato de concessão.

A última versão revista do documento terá sido entregue na passada quinta-feira, havendo agora que esperar pelo veredicto da instituição liderada por Guilherme d’Oliveira Martins.

A Elos, que venceu o concurso, diz já ter investido cerca de 150 milhões de euros na concessão, mesmo se as obras só deverá iniciar-se algures no próximo trimestre.

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