Carlos Fernandes, administrador da Rave, admite que “é mais ou menos óbvio que a PPP2 [Lisboa-Poceirão, incluindo a TTT] só deverá estar pronta entre 2014 e 2015”.

As declarações ao “Económico” do administrador da Rave contrariam a posição oficial do Ministério das Obras Públicas, que mantém a data de 2013 para a conclusão da linha de Alta Velocidade Lisboa-Madrid, apesar da anulação do concurso para o troço Lisboa-Poceirão.

“A obra da PPP2 deverá demorar mais de três anos, mais o tempo que levará até ao concurso e depois todo o processo do concurso, pelo que não podemos atrasar-nos muito”, acrescentou Carlos Fernandes. Até porque, lembrou, a eventual derrapagem da obra para lá de 2015 pode por em causa fundos comunitários, decisivos para a nova equação de financiamento que o Governo está a afinar para o novo concurso, anunciado para Novembro.

“Entre a conclusão da PPP1 e da PPP2, haverá soluções de transição para trazer os passageiros até Lisboa. Claro que, no período entre a PPP1 estar em funcionamento e a PPP2 ainda não estiver operacional, o serviço não será tão bom como o inicialmente previsto. Não será o mesmo em termos de fiabilidade e de tempo de percurso, mas será melhor que o que actualmente existe”, concedeu o administrador da Rave.

As alternativas possíveis são várias. Desde logo a instalação de um intercambiador no Poceirão e a utilização de comboios bibitola, permitindo que a viagem se faça sem interrupções nem transbordos em toda a extensão do trajecto. Outras opções serão a criação de um serviço “shuttle” entre o Poceirão e Lisboa, ou a extensão do serviço da Fertagus. Mas ambas implicam uma ruptura no encaminhamento dos passageiros.

Seguro é que o tempo de viagem entre Lisboa e Madrid será muito prejudicado. Além do que haverá ainda que lidar com a capacidade da Ponte 25 de Abril em receber mais comboios.

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