Em Espanha, a decisão de Portugal de abandonar o projecto de Alta Velocidade é encarado por alguns como uma oportunidade para repensar a ligação da Extremadura à capital, avança o “El Pais”.

Fontes do Ministério do Fomento do governo de Madrid sustentam que o projecto continua, mas agora sem um calendário concreto. Porque uma coisa é ligar as duas capitais ibéricas, outra, bem diferente, é fazer uma linha entre Madrid e duas cidades – Cáceres e Badajoz – que, juntas, não chegam aos 250 mil habitantes.

O investimento previsto na ligação de Alta Velocidade entre Madrid e Badajoz atinge os 4,73 mil milhões euros. Desses, apenas terão sido investidos até ao momento pouco mais de 400 milhões. Apenas cerca de 9% do total previsto, ou menos de 7% do custo final provável (considerando os desvios).

Àquele montante global haverá ainda que somar os custos do material circulante e os défices da operação. Argumentos mais a favor da revisão do processo, na opinião dos críticos.

O presidente do Colégio de Engenheiros espanhol, também citado pelo “El Pais”, defende, por seu turno, não o abandono do projecto mas a sua revisão, por exemplo, reduzindo a velocidade prevista, dos 350 km/hora para a casa dos 200 km/hora. É a Velocidade Elevada a ganhar terreno à Alta Velocidade.

A ministra de Fomento espanhola deverá reunir-se em breve com o ministro Álvaro Santos Pereira para discutir o futuro da Alta Velocidade, à luz dos desenvolvimentos internos portugueses e também face às reiteradas opções da União Europeia em matéria de Redes Transeuropeias, no que à Península respeita.

Pelo caminho, Ana Pastor já parece ir afinando pela bitola de Lisboa (e de Bruxelas) quando garante que o importante mesmo é que Portugal crie ligações em standard UIC.

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