As obras de construção da ligação ferroviária de Alta Velocidade entre Lyon e Turim arrancarão no próximo ano, conforme decisão da recente cimeira franco-italiana.

O projecto, de que os dois países já começaram a falar há 30 anos, tem como aspecto mais complicado a perfuração de um túnel de 57 quilómetros nos Alpes, do qual apenas foram “tunelados” três quilómetros.

Está prevista uma secção a céu aberto de três quilómetros, em Susa (Itália), onde ficará uma estação, e uma galeria entre Susa e Bussoleno, onde a linha de alta capacidade ligará com a convencional e com o nó de Alta Velocidade italiano.

O custo estimado deste troço é de 8 500 milhões de euros, com a União Europeia a financiar 40% do montante. O investimento francês está orçado em 2 200 milhões de euros.

Os ecologistas franceses e italianos avisam, porém, para o risco de escalada dos custos e dão como exemplo a construção de um túnel semelhante na Suíça, que teve um custo final de 10 500 milhões de euros. De acordo com o Tribunal de Contas francês, a linha inteira, cuja construção não deverá estar concluída antes de 2030, poderá custar 26 mil milhões de euros.

A parte francesa do investimento não está ainda assegurada na totalidade, pois o objectivo inicial era que o financiamento viesse da ecotaxa para camiões, entretanto abandonada por Paris, e que asseguraria 1 200 milhões euros para o investimento em infra-estruturas de transportes. O governo está, agora, a estudar alternativas de financiamento.

Também do lado italiano há polémica. A oposição ao projecto levou já, aliás, à alteração do traçado, o que aumentou os custos em 2 000 milhões de euros e a um atraso de cinco anos e meio.

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