O actual modelo de financiamento do AVE é insuficiente para cumprir com os 28,4 mil milhões de euros que faltam do plano de investimento na rede ferroviária de Alta Velocidade de Espanha, avisou ontem, em Madrid, o presidente do Tribunal de Contas espanhol.

Alta Velocidade

Ramón Álvarez de Miranda, que falava na Comissão Mista (Congresso/Senado), onde apresentou o “Relatório de Fiscalização do Financiamento das Infra-estruturas Ferroviárias no Período 2011-13”, defende ser necessário o aumento da taxa de uso da infra-estrutura ferroviária do AVE para evitar o colapso financeiro do projecto.

O presidente do Tribunal de Contas recordou na sua apresentação que os créditos bancário e do Banco Europeu de Investimento (BEI) foram a principal fonte de financiamento das infra-estruturas ferroviárias em Espanha ao longo dos últimos anos, período em que as contribuições do Estado caíram 92% e os recursos gerados pela actividade do AVE foram “mínimos”.

O resultado foi, por isso, o agravamento dos indicadores financeiros da Adif, chegando a haver, mesmo, problemas de liquidez, com consequências nos prazos de pagamento aos fornecedores.

Os investimentos da Adif no período em análise atingiram 8 348 milhões de euros. O financiamento bancário foi de 5 330 milhões de euros e os empréstimos do BEI atingiram 2 151 milhões de euros, ficando-se a contribuição do Estado espanhol nos 1 382 milhões de euros. Já as receitas da actividade foram de 19 milhões de euros.

O pior está ainda para vir, segundo o presidente do Tribunal de Contas espanhol, pois há contratos de financiamento com o BEI – e entre 2011 e 2013 foram assinados contratos de 3 255,5 milhões de euros – com o período de carência a terminar.

As receitas da taxa de uso da infra-estrutura atingiram 1 228 milhões de euros, entre 2011 e 2013. De acordo com o relatório, são insuficientes para cobrir os custos previstos, representando apenas 50% na rede de Alta Velocidade e 8% na rede convencional.

Ramón Álvarez de Miranda salientou, ainda assim, que intenção do Tribunal de Contas não é apoiar ou reprovar o modelo de desenvolvimento da ferrovia no país vizinho. O objectivo é abrir o debate sobre a gestão futura das infra-estruturas e as soluções para os problemas presentes.

 

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