A Boeing anunciou hoje a suspensão da entrega de aeronaves do modelo 737 MAX, o mesmo que caiu na Etiópia no domingo passado, causando 157 mortos, mas garantiu que a produção continua.

“Suspendemos as entregas do 737 MAX até encontrarmos uma solução”, disse um porta-voz da Boeing, que descartou a possibilidade de reduzir o ritmo de produção ou fechar temporariamente as fábricas.

“Estamos a avaliar as nossas capacidades e vamos ver onde é que os aviões que saem da linha de montagem vão ser armazenados”, referiu.

A Boeing produz actualmente 52 aviões 737 MAX por mês e tinha previsto aumentar para 57 em Junho.

Encomendas em risco

A companhia norte-americana tem uma carteira de encomendas de 5 011 unidades do B737MAX, com um preço de catálogo de 110 milhões de dólares (97,3 milhões de euros).

A VietAir, que tem encomendadas 200 aeronaves 737 MAX 8 sem ter recebido nenhuma, anunciou que tomará uma decisão sobre seu contrato assim que tiver todas as informações sobre o grau de segurança do avião.

Na Europa, a Ryanair é a companhia aérea que mais 737 MAX 8 encomendou à Boeing, com 135 unidades. Ultrapassa a Norwegian e o operador turístico alemão TUI, que tem 14 aparelhos e contratos para receber mais 58. A Air Europa, com 20 unidades encomendadas, apenas receberá a sua primeira unidade em Abril, tal como a Ryanair.

Na Europa, 12 companhias operam 55 aeronaves 737 MAX. Entre estas estão a checa Czech Smartwings (sete unidades), a polaca LOT (cinco), a islandesa Icelandair (três), a italiana Air Italy e a russa S7 Airlines (duas). Entre as companhias asiáticas e latino-americanas, destacam-se a Flydubai, que espera receber 237 aviões, e a brasileira Gol, com 129 unidades encomendadas.

Pedidos de indemnização

Mas os problemas da Boeing não se ficam por aqui, pois há companhias a estudar pedirem indemnizações milionárias por terem os seus Boeing 737 MAX 8 no chão.

A primeira companhia a avançar foi a Norwegian, que parou, por iniciativa própria, as suas 18 unidades do B737 MAX 8.

A companhia norueguesa contabiliza entre 500 mil e 1,5 milhões de euros os custos diários por ter os aviões daquele parados e é esse o valor da “factura” que pretende passar à Boeing. Extrapolado para o conjunto de companhias aéreas afectadas, o valor de indemnização diário a pagar pelo construtor pode atingir 450 milhões de euros.

 

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