O transporte marítimo é demasiado importante para estar exclusivamente nas mãos de estrangeiros, avisa um estudo encomendado pelo governo brasileiro, que por isso sugere o apoio à criação de operadores locais.

Brasil - Porto de Santos

O Brasil deveria voltar a ter um operador de transporte marítimo de contentores, de acordo com um estudo apresentado pelo ministro dos Transportes, António Carlos Rodrigues.

Encomendado pelo governo brasileiro ao ex-proprietário da Transroll, Washington Barbeito, o estudo sugere a reintrodução do Registo Especial Brasileiro – REB para que os custos do transporte marítimo no país se equiparem à média internacional.

A análise recorda que o sector marítimo é demasiado importante para o país para ser 100% propriedade de empresas não-brasileiras. O estudo aconselha, por isso, que se escolham duas ou três companhias privadas para operarem um total de 12 navios, em serviços regulares: um Brasil-Europa com regresso pelos EUA e um Brasil-EUA com regresso pela Europa.

Os navios seriam financiados pelo Fundo de Marinha Mercante (que existe desde 1958), em regime de leasing, no sentido de poderem ser facilmente transferidos para outra companhia, caso algum operador falhe.

Sobre os custos do transporte marítimo no Brasil, o relatório de Barbeito indica que estes são 50% mais elevados que em países concorrentes e que a reintrodução do REB permitiria ao governo de Brasília cortar na despesa, pois permitiria o financiamento privado.

O estudo avisa que o défice anual do transporte marítimo de mercadorias no Brasil é superior a 20 mil milhões de dólares (18,3 mil milhões de euros) e continua a crescer.

 

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