Quatro camiões da Patinter foram ontem invadidos por clandestinos nas imediações do Porto de Calais, no Norte de França, consequência dos tumultos verificados na zona e que chegaram a interromper a circulação no túnel da Mancha.

Patinter

De acordo com Pedro Polónio, do Grupo Patinter, os quatro camiões foram invadidos por vários clandestinos quando se encontravam parados em filas de trânsito, nas imediações do porto de Calais, ou até em andamento.

“Hoje [ontem] há um grande avolumar de camiões em Calais, quer da nossa empresa como de outras, porque há uma greve. Com uma maior concentração de camiões nesta zona, o fenómeno da invasão de camiões por clandestinos torna-se mais evidente”, explicou à “Lusa”.

O responsável da Patinter referiu acreditar que os motoristas não estiveram em perigo, para além de não terem sido registados danos materiais.

“A indicação que damos aos motoristas é de não haver qualquer confronto directo com os invasores. Temos o relato de um motorista que deu conta que tinha quatro ou cinco clandestinos, abriu-lhes a porta para saírem, mas recusaram-se e teve de se chamar a polícia”, descreveu.

Apesar de ontem terem sido mais os camiões invadidos, “este é um fenómeno que já existe há muitos anos, mas que se incrementou muito nos últimos meses”.

“O objectivo principal destes clandestinos é entrar em território inglês e usam os semi-reboques das viaturas que se acercam do porto de Calais para tentarem a sua sorte”, acrescentou.

“Quando os clandestinos são apanhados nos nossos carros as coimas são pesadas, tanto para a transportadora, que pode ir de 2 a 5 mil euros, ou para os nossos motoristas que também são autuados. E não podemos fazer nada, porque às vezes entram ali à frente da Polícia, que não tem qualquer espécie de intervenção”, lamentou Pedro Polónio.

No seu entender, este é um problema social que não pode continuar a ser ignorado. “É a vergonha da Europa, um escândalo que muito me espanta que não seja mais falado, pois são milhares de pessoas a tentarem a sua sorte. Todos os dias há camiões invadidos e é cada vez mais frequente aparecerem vídeos na internet com carros a serem invadidos”, destacou.

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