Dois fundos de pensões canadianos vão pagar 2,1 mil milhões de libras para gerirem a única linha de Alta Velocidade do Reino Unido. A cifra é bastante mais elevada do que o esperado.

Philip Hammond, secretário dos Transportes britânico, descreveu a venda da concessão a 30 anos da High Speed One (HS1) – conhecida como “Channel Tunnel Rail Link” (CTR) – à Borealis Infrastructure e ao fundo de pensões Ontario Teachers como “uma grande notícia para os contribuintes e para os passageiros dos serviços ferroviários”.

O preço supera substancialmente os 1,5 mil milhões de libras que a London & Continental Railways, o proprietário estatal da ligação, esperava arrecadar com a venda.

A High Speed One tem uma extensão de 110 km, desde a estação de Londres St. Pancras até à “porta” do túnel da Mancha em Folkestone, Kent. O custo inicial da construção foi de 5,8 mil milhões de libras.

O consórcio Borealis derrotou um consórcio da Eurotunnel, operadora do túnel da Mancha, e da Goldman Sachs, assim como um consórcio liderado pela alemã Allianz e um grupo encabeçado pela Morgan Stanley.

A Borealis pertence à Omers Worldwide, um dos maiores fundos de pensões do Canadá.

Esta avaliação generosa da linha é uma reminiscência dos negócios realizados no auge do boom do sector, antes da crise financeira, quando os fundos pagavam avaliações sem precedentes por rodovias, portos e aeroportos.

A venda da HS1 é a primeira fase de reestruturação e privatização da London & Continental Railways (LCR) que está ser planeada desde 2006.

As participações da empresa em torno da estação de St Pancras (Londres), em Stratford, e em Ebbsfleet (Kent) deverão ser gradualmente vendidas assim que as condições de mercado o permitirem. Prevê-se que o Ministério dos Transportes mantenha, pelo menos num futuro próximo, outros activos na LCR, nomeadamente a sua participação minoritária na Eurostar, o único operador de transporte ferroviário internacional em actividade a partir de Londres-St Pancras.

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